Palavras Mágicas
Marlene B. Cerviglieri

Não sei se digo ou me calo.
Elas estão todas ali contidas,
Guardadas como armas prestes
A serem ativadas.

Serão desastrosas ou prazerosas?
Elas, as palavras!

Como num toque inconsciente,
Digo; não me calo.
No olhar de quem me ouve,
A transparência da felicidade!

E ai então, liberado para todos.
Por meio da magia das palavras
Num rompante de emoções
Como se fossem as ultimas a serem ditas.

Deixam de ser contidas
Expressas lentamente.
Simplesmente.
E toda a vida se fez mistério


Lembranças
Marlene B. Cerviglieri


No silêncio me ouço.
Pensamentos revoltos,
Procuro entender
Mas nada sei!

Teimo em pensar bem.
Com tantas lembranças amargas
Indesejáveis que são
Mas no silêncio ouço!

Um coração machucado
Procurando uma fenda saudável
Sei que será difícil apagar
Estas lembranças fincadas
Como feridas abertas, no peito gravadas.

Com o embalo de minhas preces
Os olhos pesam...
O coração entra no compasso
Divagando, flutuando no espaço

Perco-me na escuridão
E então, nada mais ouço!


QUEBREI O ENCANTO...
Marlene B. Cerviglieri


Quebrei o encanto, do recato do lar,
Da volta ao canto,
De ir ao jardim, e ver o pomar.
Quebrei o encanto,
Do estar junto sem palavras,
Apenas em presença
È melhor do que ausência!

Quebrei o encanto,
Do recordar dos velhos tempos,
Coisas de ontem que fariam rir hoje,
Más,
Quebrei o encanto!
Da teimosia da troca de canal,
O esquecimento providencial,
A preguiça com desculpa,
O assumir os erros,
Escapou o pardal!
Quebrei o encanto, não sabia!
O nome do pássaro.
Ouvindo a música, mandando...
Tudo para o espaço!

No tricot da vida, ponto a ponto.
Faço meus devaneios...
Esquecendo de tudo,
Menos de você meu velho!
Que firme continuas fazendo com que
Eu sinta que os encantos hoje,
São outros.
E que mesmo que eu os quebre,
Continuo teu encanto!


Ausências...
Marlene B. Cerviglieri


Ali repassando as páginas já sem cor,
De um passado distante e vibrante!
Registrando eventos importantes,
De vidas cheia de amor!

Emaranhando entre os teus dedos, 
As folhas de papel de seda já amarfanhadas
Pelo tempo que passou,
Pelo muito que foram usadas.

Paro na página e você no tempo.
O olhar perdido distante,
Já não estas mais comigo
Perco-te por instantes.

Mas como num relâmpago no céu,
Voltas e com os olhos vibrantes
Chamando-me como só você sabe faze-lo
A pergunta vem então,

Onde estavas?
Procurei-te tanto?
Nossas mãos entrelaçadas, com emoção...
Novamente estas comigo.

Abraço-te com carinho.
Voltastes, sei que talvez por minutos.
De tuas escapadas,
Mas, procurando por mim,
No tempo, na página virada.


Imaginário Amor...
Marlene B. Cerviglieri

Eu queria um amor maduro
Que entendesse o meu cochilo
Minha falta de vontade às vezes,
Um amor de entender o olhar,
Que me leva a passear
De mãos dadas
Um amor que não percebe as rugas do tempo,
E me ache sempre linda

Eu queria um amor sonhador,
Cheio de esperanças e vida,
Que adore as crianças e os bichos também
Um amor que me leve a dançar,
As musicas de ontem,
De rosto colado, de beijo no rosto.
Com emoção

Eu queria um amor que acredite em Deus,
Cheio de fé com mansidão e paz
Um amor protetor que se deixe amar
Também sem constrangimento
Que aceite a felicidade de ter um alguém

Eu queria um amor que adorasse o mar,
O vento a natureza e se deixe embalar
Amorosamente com seus sons
Um amor eterno, duradouro,
Cheio de carinho e de abraços
Eu queria você, Imaginário Amor...

 

 

 

 


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