CONSOLO DE MARIA
Marcia Maria Luconi

A mãe sorri levemente,
ao ver o filhinho no berço,
entregue a profundo sono,
de um anjo parece o semblante.


O amor que ela sente,
tão grande no peito não cabe,
imagina-o homem feito,
aninhando-se em seu abraço.


De repente uma imagem,
na mente lhe aparece,
a Virgem Maria guardando,
o seu Filho na cruz do calvário.


Que dor ela sentiu,
ao ver o Filho amado,
açoitado e maltratado,
na cruz crucificado.


Deve lhe ter perguntado,
porque Filho querido,
foste Tu designado,
para ser imolado?


Com certeza o Pai Altíssimo,
desta mãe se apiedou,
permitindo que a resposta,
fosse dada sem demora.


Porque o Pai me escolheu,
e eu sem demora aceitei,
em mim eu já sentia,
dor de ver meus irmãos que se perdiam.


Ajudá-los a despertar,
do sofrimento os livrar,
dentro de meu livre-arbítrio,
eu quis sim ajudar.


De meu amor conhecedor,
o Pai um presente me ofertou,
a humanidade me concedeu,
meu rebanho agora são.


Então querida Mãe haverei de reuni-lo,
nenhuma ovelha se perderá,
então a pena terá valido,
pois Teu Filho verás feliz.


A mãe volta olhar o bercinho,
lágrimas escorrem pelas faces,
a missão agora entende,
fazê-lo feliz somente.


Luconi 
Publicado no Recanto das Letras em 05/02/2010
Código do texto: T2071313



ENTREGOU-SE ÀS TREVAS QUE PENA

És apenas um irmão perdido,
alguém que se desgarrou do rebanho,
com a pobreza inconformado,
traçando para si planos,
para alçar vôo alto.


Descobriu-se então dono,
de grande poder mental,
vidência e projeção para você era normal,
estudou para poder controlá-los,
colocando-os em seus projetos.


A serviço de Jesus não se colocou,
outro mestre preferiu,
caridade apenas para impressionar,
ganhando a confiança,
de quem lhe interessava.


Assim seguiu seu caminho,
esqueceu que até seu mestre,
DELE era filho,
usou seu livre arbítrio,
enriquecendo rapidamente.


Não poupou a ninguém,
quem atrapalhasse seu caminho,
rapidamente era retirado,
desgraças causando ao pobre,
ainda passava por amigo.


Como serpente esperava o momento certo,
como raposa os rodeava,
com astúcia os enganava,
o inocente com a culpa ficava,
ainda com você desabafava.


Poucos, quase ninguém,
descobriram a verdade,
era tido como homem de bem,
esqueceu-se que um dia,
o seu mestre lhe cobraria.


Muitos desviou do caminho,
endividando-os com o seu mestre,
pobres almas aprisionava,
achando que o mestre se satisfaria,
sua dívida quitaria.


A idade chegou,
o corpo enfraqueceu,
a doença é cruel,
a fortuna não o cura,
recorre ao seu mestre.


Ao seu pedido de ajuda,
uma resposta só ouve,
velho como estás,
vivo não me tens serventia,
morto tua alma me servirá.


Desespera-se ainda ilude-se,
tenho meus poderes,
ao partir legiões comandarei,
nas suas mãos não ficarei,
as trevas muito me deve.


A verdade não enxerga,
a dor da doença lhe dilacera,
a lhe acusar a consciência começa,
o orgulho não permite que reconheça,
as maldades que cometera.


O Pai te deu seus poderes,
para a luz a muitos levar,
você inverteu a missão,
o Pai por ti chora,
eu por ti oro.


Luconi 
Publicado no Recanto das Letras em 25/01/2010
Código do texto: T2050533


GUERREIROS ANÔNIMOS


Costumam enaltecer,
aqueles que grandes feitos fazem,
anunciam a quatro cantos,
pregando o grande exemplo.


Também são enaltecidos,
os que estão em iminência,
são ricos, políticos ou artistas,
todos muito famosos.


Vou lhes contar uma coisa,
eu costumo enaltecer,
aqueles que no anonimato,
batalham o seu dia a dia.


Aqueles que como você,
tem problemas corriqueiros,
e que os resolvem,
com amor e paciência.


Tem quem em casa fica,
cuidando da família,
vira até utensílio doméstico,
mas está sempre feliz.


Quando a família vai chegando,
cada um com seu problema,
ela escuta com paciência,
os caminhos iluminando.


Os arrimos de família,
que sustentam seus lares,
muitas vezes incompreendidos,
muitas vezes injustiçados.


Não é fácil a sua vida,
uma ora ganham mal,
outrora injustiçados,
grandes sapos eles engolem.


Sem falar no desemprego,
que na marginalidade os coloca,
realizando pequenos bicos,
não suprindo as necessidades.


Muitas vezes estes guerreiros,
nem bico conseguem,
ainda vem um infeliz,
e os chamam de vagabundos.


Muitos descem ao fim do poço,
quando pensam que não caem mais,
a família com fome,
os lixos vão revirar.


Quando a vida se ajeita,
tudo vai caminhando,
de repente se deparam,
com doença ou desgraça.


Mas seja qual for o problema,
eles não podem parar,
tiram forças não sei de onde ,
para a marcha continuar.


A estes anônimos guerreiros,
que com amor se revestem,
incansáveis em sua luta,
é que quero reverenciar.


Pois tudo o que fazem,
fazem com grande amor,
levam a esperança consigo,
e a fé em Nosso Senhor.


Luconi 
Publicado no Recanto das Letras em 24/11/2009
Código do texto: T1941946


 

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