5.

Consta-se que, ao pronunciar a palavra pela sétima v consta-se que, ao pronunciar a palavra pela sétima vez, o jovem poeta se enamorou. 
e caiu nos braços da cadeira, adormecido, subjugado pelo lento amadurecimento do encantamento que ele próprio verteu. há quem diga que tal se deveu a factores estranhos ao próprio acto poético: as nuvens navegavam em direcção contrária às leis da física reclamando da sua condição de transparência e irrealidade. a chuva subia e não descia, tentando aspirar à divindade e substituindo-se a aqueronte na 
passagem para o lado errado da existência.
eu apenas sei que o jovem poeta adormeceu, 
como se tivesse adormecido no regaço de uma 
deusa antiga que lhe tapasse o rosto com um vestido de veludo. das palavras, não sei nada. são como os cálices antigos. apenas o coração silencioso pode descobrir o seu significado.


6.

o destino nunca se constrói
nem gilgamesh pode encerrar
o seu futuro numa única flor

talvez aquele que suba possa
viver outra vez.

7.

o poema: a apoteose do encontro
o assumir das palavras brancas
na teurgia que procede ao corpo.

tudo existe
tudo é
na sílaba dos dedos.

8.

Procura e encontrarás
O signo do mar nas
Vertigens agrestes
De uma carícia. Só
Os marinheiros amantes
São dignos do vento.

 

 


Todos os direitos reservados
Sala de Poetas
AVSPE
Copyright © By Efigênia Coutinho
2006

Esta página, composta por texto e arte gráfica,
é protegida pela Lei de Direito Autorais -
LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998,
e pelos tratados e convenções internacionais.
Respeite os direitos da autor,
para que seus direitos também
sejam respeitados, sempre.


CrysGráficos&Design