5.
Consta-se que, ao pronunciar a palavra pela sétima v consta-se que,
ao pronunciar a palavra pela sétima vez, o jovem poeta se enamorou.
e caiu nos braços da cadeira, adormecido, subjugado pelo lento
amadurecimento do encantamento que ele próprio verteu.
há quem diga que tal se deveu a factores estranhos ao
próprio acto poético: as nuvens navegavam em direcção
contrária às leis da física reclamando da sua condição
de transparência e irrealidade. a chuva subia e não descia,
tentando aspirar à divindade e substituindo-se a aqueronte na
passagem para o lado errado da existência.
eu apenas sei que o jovem poeta adormeceu,
como se tivesse adormecido no regaço de uma
deusa antiga que lhe tapasse o rosto com um vestido de veludo.
das palavras, não sei nada. são como os cálices antigos.
apenas o coração silencioso pode descobrir o seu significado.
6.
o destino nunca se constrói
nem gilgamesh pode encerrar
o seu futuro numa única flor
talvez aquele que suba possa
viver outra vez.
7.
o poema: a apoteose do encontro
o assumir das palavras brancas
na teurgia que procede ao corpo.
tudo existe
tudo é
na sílaba dos dedos.
8.
Procura e encontrarás
O signo do mar nas
Vertigens agrestes
De uma carícia. Só
Os marinheiros amantes
São dignos do vento.
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