Se antes de ti eu morrer
©Joaquim Marques
Se eu morrer antes de ti,
não quero velas nem cenas!
Eu quero levar apenas
a meu lado, no caixão...
...Rosas!
Vermelhas, aveludadas,
perfumadas
com teu cheiro inebriante!...
Elas, simbolizarão
a cada instante,
mesmo na eternidade,
o mais puro amor,
a mais ardente paixão!
Como último desejo, se pudesse,
pedia a Deus que me desse
o ensejo de morrer
ao fim da tarde
de um dia de sol!
Para que, da janela do meu quarto
virada pro mar,
eu pudesse ver o seu arrebol!
E, ao olhar pela derradeira vez,
o infinito horizonte, queria,
mesmo que numa miragem,
que o sol, ao esconder-se,
me parecesse a tua imagem!...
Num raio rosicler do arrebol,
mesmo sabendo ser pura ilusão,
queria ver em tua mão
uma núvem branca,
qual lenço, a me acenar!
E, num último adeus,
eu sei que veria, desses olhos teus,
lágrimas salgadas brotarem!...
Lágrimas de eterna saudade!
De um sonho que, não chegando
a ser realidade...
Viverá na perpetuidade!
ERROS DA VIDA
©Joaquim Marques
Caminho agora sobre terra ressequida
Que a chuva a seu tempo não regou.
Piso folhas secas que no chão caídas
Foram vestes d'arvores agora despidas
Pelo vento impetuoso que as levou !
A vereda que sigo é orla dum rio
Que segue seu curso buscando seu rumo.
Num murmúrio triste a caminho do mar
Suas águas límpidas parecem chorar...
Quando em cascata caem sem aprumo.
Sombras de choupos esguios desnudados
No espelho das águas parecem vultos.
Num rodopio macabro vão arrastando
Pras profundezas do rio vão levando...
Tudo que na tona sejam ciscos polutos.
Olho pra trás! Vejo a extensão do rio
E nas cascatas vejo o desaprumo.
Das águas que em suas bifurcações
Se ramificam seguindo novas direções...
Mas todas vão dar ao mar que é seu rumo!
Revejo as pegadas por mim deixadas
No pó da terra não foram apagadas.
Nelas vi os desvios que, fazer não quiz
O que podia ter feito e que não fiz...
Tentarei corrigir em futuras jornadas!
Maria das flores
© Joaquim Marques
Ao cruzar contigo ao romper do dia
Levavas no braço um cesto de flores
Eu te saudava - Bom dia Maria! -
Vénias trocávamos mas com pundonores!
Ao mercado rumavas pra vender flores
Na tua voz doce o pregão proferias
Tenho rosas cravos tulipas amores
Teu olhar teu sorriso eram alegrias!
Tinhas no teu rosto o viço e a cor
Que alguém levou ao comprar-te amores
Agora não sei como são teus dias!...
Através do vento como melodia
Oiço tua voz apregoando flores
Quem compra agora teus amores, Maria?...
PUDESSE EU!
© Joaquim Marques
Ó mar imenso, alteroso e brando!
Pudesse eu ir às tuas profundezas
E deixar lá todas as minhas tristezas!...
Eu o faria, ó mar! Mas como?...E quando?...
Te murmuro ó mar! Que contigo partilharia
Meus sonhos!...Todos os meus segredos...
Ilusões, ousadias e até meus medos!...
Em teu leito, jamais alguém os saberia!
Tuas águas salgadas ó mar! Seriam
O envoltório de uma concha marinha
Que, servindo de cofre, os guardaria.
Aí, ficariam adormecidos eternamente
Entre algas e corais!... Pudesse eu,
Faria de ti, ó mar!... Meu confidente!...
Pétalas para um amor
©Joaquim Marques
Se eu pudesse plantar um jardim nos céus,
Com as mais belas flores que há na terra,
Eu, o faria sem qualquer reserva
Para que fossem, purificadas por Deus.
As mais aveludadas rosas, eu queria
Como principal atracção, em seus canteiros;
Que os anjos, fossem os seus jardineiros...
Que no ar, pairasse... leve melodia...
Ah!...Se eu pudesse plantar esse jardim,
Essas flores nunca seriam para mim!...
Porque a Deus e aos anjos, eu as doava...
Mas, para ti, amor!... Pedia a Deus
Que as pétalas de uma rosa desfolhada
Por anjos, fossem soltas sobre os ombros teus!
VOZ DA VIDA
©Joaquim Marques
A madrugada vai esvaiecendo, paulatinamente;
os primeiros raios de sol aparecem, e o dia alvorece
iluminando a terra, os mares, os vales e os montes...
Ouve-se o canto do galo, o murmúrio das águas nas fontes!
O bulício urbano da cidade que acorda é incessante...
Rostos crispados se cruzam denotando canseiras
infindas, que terão que enfrentar em mais um dia de luta,
para angariar através da labuta, o sustento essencial...
Que, inúmeras vezes, de uma maneira intrínseca,
nem dá para alimentar sua familia de maneira formal.
É a voz da vida! Que ecoa em todos os recantos!
Nas cidades, nas vilas, nas aldeias e até nos campos,
Voz que sai da boca de qualquer pessoa como prantos
os quais denunciam inúmeras vezes seus segredos,
seus encantos, desencantos e também seus medos...
Em tudo que nos rodeia a voz da vida está presente!
Voz da Natureza! Voz da criação; dos pássaros seu canto!
Até nas rugas de um ancião, no olhar de uma criança,
ela se desvanece... Ela nasce, cheia de esperança...
A vida sem voz, jamais será vida... Mas apenas pranto!