Bica do Ipu
Tobias Marques.

Olho para ti
E caçôo,
Do teu tamanho e atrevimento.
Perpendicular, salta do horizonte,
Travessa,
Sem escadas, sem asas
Cai levitante.
Imagino-te despida, 
Longa, barulhenta.
Excitante...
Seu semblante poético permanece
Como um segredo que tenta guardar.
Seda luminosa e esvoaçante
À luz do sol plaina alegremente
Sem se desfigurar. 
Por que teima em existir?
Se já te secaram;
Já te cercaram;
Já te ilustraram:
Capas e fotos
Desenhos e traços;
Sempre tu mais natural.
Obediente lava as almas
E no mesmo caminho,
Percorre sem macular
O nome e o sentido:
Elegante queda d’água,
Eterna Bica do Ipu, 
Véu de noiva do Ipuçaba...

Fortaleza-Ce

O Ipu Que Eu Vejo
Malu Mourão

Tristonha vejo a nossa gigante Ibiapaba,
Soltar sua cascata em triste véu de lágrima,
Num choro sentido de ver o filho Ipuçaba,
Que antes era de prata, agora é de lama.

Pois o riacho que um dia foi nossa vaidade,
Tem a sua água límpida hoje estagnada,
Que escassa e tímida só sente a saudade,
Do canavial verde que agora não é nada.


No meu peito sinto uma dor de decepção,
Quando observo o humilde e esfacelado,
Rebotalho da antiga e garbosa estação.

Da minha alma escuto uma voz que me diz:
Nunca te esqueça de teu Ipu do passado,
Faz de conta que escutas o relógio da Matriz.

Ipu-Ce


Hora de Reflexão
Tobias Marques Sampaio


A páscoa é hora de reflexão
E não são os ovinhos que dirão ser
Devemos sim pensar no perdão
E perdoar aquele que nos fez sofrer.

Na próxima vez que tocar o coração
Pense que nele tem a ver
Um mundo de bela emoção
E o seu próximo é gente como você.

Portanto, seja qual for a religião
Tem um Deus lá em cima pra crer
E em cada esquina sofre um irmão.

Seja Deus louvado e com prazer
Agradeço seus votos de coração
Desejando-lhe ?paz fraterna? em cada amanhecer.

Poema

Saiu o poema das línguas
Ou dos farrapos das conversas
Como são lindos os diálogos de quem conversa
Para o tempo e com o tempo escapado.

Ora este poema nada explicado
Nesta página de pessoas crédulas,
Esperando o momento para resgatar insanidades!
Corro para debutar coerência
Ciente de que nada mais é válido
Confiemos na coerência, sistematicamente.

Não perco os passos que dou
Nem as incoerências de ser domado.
A prisão da inconveniência paralisa,
Mas não registra cumplicidade que não seja
Iminente paradigma da responsabilidade.

Tobias Marques Sampaio
 

 

 


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