Neste Natal 
TecaMiranda

Neste Natal quero a morte
do ego fechado e prepotente,
libertando a consciência
de pensar em si somente.

Neste Natal quero a sorte
do destino a todos traçado,
trazendo a felicidade
do sonho acalentado.

Neste Natal quero a morte
da arrogância e rejeição,
lançando a semente
de uma transformação.

Neste Natal quero a sorte
da vida em prosperidade,
unificando os seres
pela palavra bondade.

Beijo sentido
TecaMiranda

Esse olhar que me desnuda...
olhos loucos que me beijam
numa ilusão atrevida, mas sentida
na boca que entreaberta fica muda.

Alucinado viajante dessa fantasia,
jogado no abismo do abstrato
sofres por ter o que não possui
e na fome de amor vive a agonia. 

Nessa doce loucura que nos prende
quero beber da fonte de tua poesia,
juntando palavras num ato de amor
em gemido verso que a transcende.


Olhos vidrados do sonho que viveu
numa sede infinita que maltrata
despertas rasgando o peito de dor;
e eu, anoiteço embalada pela lira de Orfeu.


Joio e trigo
TecaMiranda

Não escute o som
que nada diz,
palavras com dom
de tolo aprendiz.

A boca adoçada 
com o mel do fel,
é uma chicotada
a rasgar o papel.

Abra os ouvidos
com sabedoria,
não seja iludido
pela sutil simpatia.

Verdade faz construir,
a ilusão, quer destruir.

 

 


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Sala de Poetas
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2006

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