Matriz e filial 
Rosa Pena 

Felicidade e saudade 
moram na mesma rua 
onde a imaginação alcança. 

Fica logo ali... 
Entre o beco da lembrança 
e a rua do ligeiro. 

Não existe final 
para um coração apaixonado. 

A lágrima e o sorriso 
fazem um duo de improviso
cantando debaixo do mesmo chuveiro... 
Matriz e filial 

Cocktail do fênix 
Rosa Pena 

Quando você chega na estação da vida em que percebe que o mais importante é o que você quer e não o que terá a aprovação coletiva, você está pronta para estrear seu casaco de couro ao meio-dia em plena calçada de Ipanema. Não faça por menos. 
Assobia o Sinatra, paquera o surfista e manda à luta o baixo- astral. 

Você sabe que não tentou se eleger presidente, não matou nenhum mico-leão-dourado, muito menos jogou petróleo no Atlântico. No máximo fez xixi e ácido úrico não é muito poluente. Ou é? Esqueça essa parte e tira da memória aqueles feitos na piscina. Faça cara de inocente! Quem? Eu? Quando? 

Sinta-se uma rainha e siga em frente. Se desanimar, lembre-se que nem as baratas ficaram de fora da arca. A mulher do Noé foi tolerante. Ainda dá pra acreditar na plebe. 
A vida é um inferno e você é uma brasa, mora? 

Simbora que atrás vem falsos inocentes! 
Ser feliz, apesar de incomodar muita gente, não é indecente! 


março de 2006

Gatos em teto ardente 
Rosa Pena 

Invado seu telhado. Sim! Ele é de zinco. Dispo a sensatez e me visto da nudez. Pulo de assalto em seus braços e me enrosco neles. Encantada com seu cheiro, eu cheiro cada vez mais para facilitar minha busca de suas sobras, você se excede no amor enquanto eu vivo na escassez. Lanho-me na aspereza de seu queixo e me banho em sua saliva. Esfrego-me em seu peito e me tatuo em cada milímetro de seu corpo até ouvir seu suspiro de animal rendido. Farto minha fome e até mudo de nome! Destelhada viro gata para viver nessa morada mais que de zinco, muitíssimo mais, é um verdadeiro brinco de ternura. A quentura vai além do que indica o termômetro da prudência. 

Mas quem disse que devo à ela obediência? 
 

 

 


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