Martírio
Adolescência fluindo nas veias,
Sonhos em mim emergindo,
Eu e toda a minha jovialidade.
Plantei teu semblante em meu peito,
Arei teus desejos com afeto,
Ergui teu jardim em meu ser.
Virei teu poeta, teu venerador,
Compus serenatas, te entreguei minha alma,
Bebi o néctar de delírios imaginários,
Visitei o nirvana aspirando tuas curvas,
Sofri enfermo sem teu cobertor.
Mas quando percebi surgiu à aurora,
E já era tarde demais,
Os trinta vestiam minha face,
Sina cruel dos apaixonados,
Detentores de amores não realizados.
No espelho observo meus prantos,
Derramando, rolando, lentamente em vão,
Nos olhos rugas de momentos de martírios,
Por dentro aridez, restos de meu eu pelo chão.
Onde ela jazia em mim, agora reside à noite,
A realidade traiçoeira a cruzar o meu caminho,
A única companheira que entende minha dor.
- Rodrigo Cézar Limeira
Prezada Efigênia,
eis que muitas vezes mergulhamos no \"Martírio\"
existencial, cativos de nossos temores amorosos,
desilusões em tom meio cinza.
(Esta poesia foi classificada em \"Terceiro
lugar\" no \"IV Concurso Nacional de
Poesias de Guaratinguetá.\
Enigmas
Navego na nave mãe,
Planeta terra é seu nome.
Movo-me no universo,
Eu e uma constelação de objetos,
Rumo a Vega,
À velocidade do big-bang.
Em minha mente,
Uma única certeza, existo,
Assim como existem os seres brutos.
Sou matéria e ocupo um lugar no espaço,
Feito do pó da terra,
De carbono e hidrogênio.
Amanheço, entardeço,
Vejo o crepúsculo à luz da incógnita,
E o pensamento no relógio,
Que impiedosamente faz tique-taque,
Aproximando-me do meu fim.
Mas eu parto e tudo ao meu redor fica,
Os seres eternos são os seres brutos?
Cresci imerso em questionamentos,
Cercado de dúvidas muito além da ciência.
Sou ponto material na magnitude do espaço,
Creio na vida eterna e no ser onipotente,
Nas leis físicas que regem o movimento dos
astros.
À noite escuridão intermitente,
E estrelas na imensidão do céu,
Os dias vão e vêm,
O passado não volta jamais,
As estações do ano se repetem,
E do jeito que já fui um dia,
Nunca mais serei novamente.
Sou irmão das estrelas cadentes,
Do tempo que se aproxima do seu não fim,
Do mistério de toda a existência,
Das dúvidas que pairam sobre mim.
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