inocente...
Plínio Sgarbi
cravado no peito
a insígnia da insignificância
escarrado e vomitado
pela tolerante ignorância
da ciranda social
nas esquinas da roça
ou nos alqueires urbanos
cresce a vitima criança
menino de rua
ferida marginal
dos antis e semi-deuses
digere o pão amassado
dirige a sobrevivência
existência...
jogo de cintura
vociferam assinaturas
em tão malditas escrituras
Deus, tu és inocente ?
porque fizeste
germinar a semente
não deixaste apenas
escorrer
uma mancha vermelha
no absorvente ?
Passagens
Plínio Sgarbi
Como pode o sol brilhar
com a chuva riscando o céu?
Despreocupadamente
na correnteza de tenros anos
navega o barquinho de papel
De repente, chega aos trinta com disposição
espantando a solidão querendo atracar
no porto das posições
Conquistar espaços, afirmar
marcar território, autenticar a firma
Num cartório uma aliança achar
consumir preocupações
Anos trás trinta e cinco
perder o saldo no balanço
dos cinco passados
rumo aos cinco futuros
equilibrando-se na bicicleta das ilusões
pedalando emoções
assobiando esquecimentos ao ritmo
de rain drops keep falling on my head
Sucessos e fracassos na coleção
Curvas e retas a encarar!
Visão em meio de névoas
redundantemente turvas
e aí, aparecem os quarenta
Oh céus! Clemência !
Que tarda os cinqüenta e a previdência!
Querer agora prender o tempo
para da lembrança não fugir
o vestido vermelho da Marilyn
voando na altura dos joelhos
a cavalgada das valquirias
o gosto da sopa de fubá
com broto de cambuquira
Que se danem os deveres a cumprir!
Ainda a sonhar com a liberdade
acordar com o som
dos baladangãs da Carmem
Gozar um prazer e de novo, acender o pavio
Vem comigo ficar barco, não virar navio
amar um dia, vamos ler mais poesias
Minguante da Alma
Plínio Sgarbi
Está dia
vaga ao norte
viajo e divago a sorte
rogo expulsando a morte
estadia vadia aos arredores
escuros de seu consciente
prazeres viciosos
clareio
com meus planos
sadios e gulosos
traçando minhas retas
em suas curvas
tateando
permanente florescer
paixão
em todas as
quatro estações
tomando uma direção
como um carma
penetrando habitar
um quarto minguante
de sua alma.
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