TREM DO TEMPO
(Paulo Peres)

Ferro e aço
Tempo e espaço
Cidade e sertão
História e paixão

A saudade sobre o trilho
Vida, estrada, maquinista
Soluça o velho estribrilho
Da memória anarquista
Que o vento ecoa, ressoa,
Insiste e resiste
Reter o apito final
Perto do canavial

Na partida deste trem
Que o destino fez refém
É a última viagem
Vão demolir a estação

Toca o sino da igreja
A aldeia lacrimeja 
O açoite da emoção
Fez calar a estação

Quando o sonho acordar
Gente triste irá sorrir
Trem em festa vai ligar
O Oiapoque ao Chuí...


TOPLESS
(Paulo Peres)

Mulher de pés descalços e seios nús,
O sol acaricia cada curva do seu corpo
Sem limite de pudor.

Mulher de pés descalços e seios nús,
Infinda fonte de ternura e sedução
Onde bebo seus delírios.

Mulher de pés descalços e seios nús,
Entrelaçamos nossos desejos
Sob as carícias que nos semeia o prazer.

Mulher de pés descalços e seios nús,
Seu orgasmo conheço, seu Eu ignoro,
Sua cama adoro.

Mulher de pés descalços e seios nús,
Beleza constante no balanço errante
De Ipanema.


SUA BÊNÇÃO, 
VINÍCIUS DE MORAES
(Paulo Peres)

Acima da hipocrisia
A poesia
Acima da guerra e da fome
A canção
Acima do desencontro
O perdão
Unidade ativa: homem-mulher

Místico e erótico
Intelecto e "vagabundo"
Um copo, um cigarro,
A poesia chega ao céu
Chega carregando espaços
Da Lapa, de Ipanema, de Ihéus
Mas chega levando festa,
Levando uma saudade
"Morasmente" carioca

Sentimos teus versos
Em cada chopinho,
Tua presença
Em cada noite vadia,
Pois estás acima da morte;
Posto que acima do acima do acima
Estás Eterno
Não mais acima,
Mas ao lado de Deus
Sua Bênção,
VINÍCIUS DE MORAES!
 

 

 


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Sala de Poetas
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