Vento
P@ulo Monti
O vento agitando-se entre as árvores
Tráz outras agitações dentro de mim...
E eu, sentado à esta mesa, que não a minha,
Mergulho ventaniamente nas palavras.
Palavras feitas de(no) vento do meu espaço
in(ex)terno,
O vento macio de beira-mar, amando água, corpos e sal!
O vento suave de lirismos
(in)contidos no (pobre) peito do poema em gestação,
O vento refeito em nuvens brancas,
como um seio de mulher: rijo, inflexível e sedutor.
O vento ventando a vida
Varrendo saudades noutras direções
Vento vindo, voando, vago: vento...
Beira-mar
P@ulo Monti
Da praia distante
Quero sal
Gaivotas
Maresias.
Vento salgado
Beira de mar:
Quero de volta
Um verão janeirado de sal e vento
Sal de verão
Ventos de janeiro!
Depois, saudade
Violão macio
Cachaça de rolha
E uma lua(que não precisa nem ser cheia...)!
Contrastes
P@ulo Monti
No mar o movimento
Salgado e precursor.
No ar o balanço,
Goteira escarlate.
No living a maré,
No corpo o caracol.
Na onda a vida,
Em espumas um sussurro.
No arco-íris brotam nuvens
Na cabeça, explode, arranha-céu,
E no pátio, numa cadeira
Balança todo o infinito.