Quase Ninguém
(Neusa Padovani Martins)


Tão pequenino e secundário.
Indiferentes aos que passam.
Perdido em seus pensamentos.
Sentindo-se abandonado.

Parecendo ser tão perene.
Inerte ao futuro e perdido no passado.
Olhando fica por todos os lados, absorto.
Um ausente no presente.

Tão sútil nos entremeios.
Replicando a própria história.
Vais perdido dentro de si mesmo.
Onde sua verdade mora.

Mãe
(Neusa Padovani Martins)

Mãe? É você? Estás aí?
Ainda a ouço falar e rir.
Sinto seu cheiro que nunca mais saiu.
E nem mesmo a dor ao vê-la partir.

Nem quero mesmo esquecer-me de nada.
Sua lembrança só me enternece.
Você continua tão viva e presente.
Que ninguém jamais te esquece.

Um dia haverá que nos veremos novamente.
E então esse seu riso permanente.
Que sobrevoa sempre meus pensamentos.
Permanecerá entre nós eternamente.

Inveja mortal!
(Neusa Padovani Martins)


São momentos chatos.
Os dias se aproximam.
O peito se contrai a cada pensar.
Há só vontade do ficar e não ir.
Porém, não pode ser assim.
E se assim tem que ser, que seja então.
Farei o que melhor sei fazer.
Vou rir, deixar meu coração bailar.
Abraçar toda gente amiga.
Ignorar os que tem inveja.
Apenas sorrir aos pobres de espírito.
Depois, ah! Depois já sei o que farei.
Partirei olhando só para a frente.
Deixarei para traz a competição vã.
Darei a mão aos amigos apenas.
Farei meu mundo cor-de-rosa.
Sem intromissão de ninguém!
Para traz ficará o coitado.
Aquele que pensa ser o maior!
 

 

 


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