Falando de amor
Myriam Peres
O amor que eu acredito
É aquele da emoção
Da ternura, do coração...
É aquele palpitar gostoso
Da ansiedade da espera
Da certeza da primavera...
É o amor à moda antiga
Das flores, das serenatas
Da lua e das cascatas...
Daqueles beijos roubados
Dos olhares apaixonados
Dos lenços tão perfumados...
Dos bailes a rigor
Levando nas mãos a flor
De essência tão multicor...
Amor das músicas dolentes
Amor das juras ardentes
Amor do cantar silente...
Das juras balbuciadas
Dos sussurros ao pé do ouvido
Das ilusões apaixonadas...
Das balinhas no cinema
Das pipoquinhas serenas
Do suspirar, dos poemas...
Dos beijinhos no portão
Dos doces apertos de mão
Do tremor, da emoção...
Das alianças nos dedos
Dos bombons recheados
Dos licores adocicados...
Das palavras, da canção
Dos planos, da oração
Dos filhos que ainda virão...
É esse o amor que admito
Amor simplesmente dito
Durando até o infinito...
Cadeira de balanço
No silêncio do meu anoitecer
Piscam lampejos ao escurecer
Entre as brumas dos meus pensamentos
Num ranger sereno e persistente
Balanço sonhos em minha mente
Devaneios toldam-me completamente...
E a noite me estremece, temperando
No balançar do lusco fusco da imaginação
Minha cadeira de vime estende sua mão
Vime de palha toda entrelaçada
Em palhas secas da minha emoção
Componho rimas para meu coração...
Saio da rede, em busca de aconchego
Procuro logo banhar-me no sossego
Correndo aflita balanço em seu chamego
Palhas trançadas mesclas de crianças
Das minhas tranças, cheias de esperanças...
E a cadeira range em seu tontear
Range pra poder se equilibrar
Ginga anseios em meu versejar
Meu corpo fica tonto em seu balançar
E, meus olhos entreabertos a fitar
Piscam frenéticos sem poder parar...
A palha seca geme procurando
Vida plantada sempre esperando
Beijos de lua e seu sol brilhando
Em suas raizes se fortificando
Ver suas palhas se entrelaçando...
Virei criança, vida com minhas tranças
Embolando desenhos nas lembranças
Querendo colo pra me proteger
Mareando balanços pra poder sentir
Nos cantos da noite o poder dormir...
A cadeira range e a idade passa
Sopra saudades, fica só fumaça
Nos prateados dos meus cabelos
Muitos criados nos meus devaneios
Prata dos meus cabelos, palhas de algodão
Nascem e crescem na imaginação...
A cadeira balança pra lá
Balança pra cá a gingar
Minhas rimas a cantar
Meus cabelos pratear
No balanço, balançar...
Myriam Peres
Ode ao amor
Estou compondo pra você
Uma página de amor
Um amor tão complicado
Um amor tão sufocado
Um querer abençoado...
Componho as cordas do coração
Com as rimas que brotarão
Em acordes de tanta emoção
Componho vida com a ilusão
Rimando teias que surgirão...
Componho o que minh'alma grita
Com o que meu palpitar suplica
Faço do ar que me envolve a vida
Que a ilusão que me faz perdida
Faço do meu canto me sentir querida...
Esse não é um grito que ecoa a voz
Não diz o que suplico numa dor atros
É um sussurro baixinho só para dizer
Nos ventos idos e chegar a você
Meu doce enlevo de querer e ter...
Esta é a página de amor para você
Criei-a só para lhe poder dizer
Nos sonhos que aparecerão
Nas escalas de toda minha emoção
Compondo-a dou todo meu coração...
É apenas uma página de amor
Uma página que ficará marcada
Em relevo as palavras assinaladas
Nos encantos da minha paixão
Página de sangue da minha solidão...
Receba e guarde nada mais vou revelar
Tranque guardada para poder achar
Tranque amarrada nos nós da interrogação
Que esta ternura se transforme em emoção
E me abençoe nesta minha revelação...
Myriam Peres
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