BRINCADEIRA
Muriel Elisa Távora Niess Pokk


Brincando tu disseste:
"A tua casa eu irei,
me espera as oito em ponto,
que por lá eu passarei!"

Por brincadeira na janela,
eu fiquei a te esperar,
e por brincadeira, imagina!
Tu vieste me buscar.

Eu desci por brincadeira,
só pra ver no que ia dar.
Com o coração aos saltos,
contigo fui me encontrar.

Encontrei-te finalmente,
e por brincadeira fingindo,
fitavas-me ternamente,
com seus lábios sorrindo.

E por incrível que pareça,
ninguém vai acreditar,
por brincadeira é certo,
tu viestes me beijar.

Nós dois abraçadinhos,
era brincadeira porém,
dirigimos bem juntinhos,
sem reparar em ninguém.

Deste passeio brincadeira
para casa nós voltamos,
e talvez por asneira,
outro encontro marcamos.

Um encontro que sabíamos
não ia se realizar.
Marcado por brincadeira,
só para poder terminar.

Brincadeira, brincadeira,
este jogo de ilusão,
se tudo foi brincadeira,
devolva meu coração.


São Paulo 22/5/74
Registrada em cartório


Caminhando juntos
Muriel Elisa Távora Niess Pokk

Dá-me a tua mão,
leva-me contigo. 
Leva meu coração
e deixa o teu comigo.

Vamos seguir assim,
sempre lado a lado,
sem reparar no fim,
que a vida tenha passado.

Então abraçadinhos,
o passado recordaremos.
Idosos, mas não velhinhos,
Um ao outro diremos...

Que a vida foi muito curta
para este amor intenso
e sem nenhuma culpa
Vivemos esse amor imenso.

Que a nossa lua de mel
Dure muito mais que o além
Que possamos nos amar no céu
E em outras vidas também.

Registrada em cartório

Cumplicidade
Muriel Elisa Távora Niess Pokk


Sou tua cúmplice nesse crime ardiloso.
Planejamos juntos matar dona saudade.
Combinamos sem remorso o dia e hora.
Escondendo-nos sob o manto sigiloso,
e sem nos importarmos com tanta maldade,
de uma só vez, matamos essa senhora.


Não sei se seremos ou não condenados.
E se formos, que punição nos será imposta?
Será que cumpriremos pena juntos ou separados?
Pergunto-me, mas, não tenho a resposta.


Se me for dado, cumprir pena ao seu lado,
com muito prazer a sentença cumprirei,
valeu a pena ter contigo assassinado.
aquela malvada com a qual me deparei.


São Paulo – 2006
Registrado em cartório
 

 

 


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2006

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