EMOÇÕES DA PRIMAVERA
Maria da Fonseca


A relva mal aparada
Não é só relva, eu bem sei,
Com a erva misturada
Não é a mesma que cantei.

Porque este verde manto,
Pleno de cor amarela,
Possui agora outro encanto
Quando me chego à janela.

Resistindo à ventania
As florzinhas se erguendo,
Abertas em cada dia
E à noite se recolhendo.

Brilha o verde e o amarelo
Pelo Sol iluminados,
Daí nascer o anelo
Destes meus versos rimados.

Depois, olho a macieira
Com lindas flores de neve,
Que vão cobrindo a ladeira
De pétalas, ao de leve.


Outras caem sobre a hera
A folha verde a pintar.
Estamos na Primavera,
Tons, emoções a mudar!

Lisboa, 13.04.2009

BUGANVÍLIAS
Maria da Fonseca
Para Malu Mourão

Estes olhos encantais
Com a vossa formosura,
Belas, gentis buganvílias
Em flor, cheias de ternura.

As lilases se entrelaçam
No murinho do quintal,
As vermelhas mais ao longe
São vistosas, sem igual!


A chuva que ontem caiu
Excedeu-se no seu zelo
Neste final de Verão,
Apesar do nosso apelo.

Já tantas florzinhas rolam
Ao sabor da leve aragem
Dando mais cor ao caminho,
Modificando a paisagem.

Minhas lindas companheiras
A estação está a mudar.
Não é por não terdes flor
Que eu vos deixarei de amar!

Lisboa - Portugal


CONCERTO DE PRIMAVERA
Maria da Fonseca

Cantais assim vosso amor,
É a lei da Natureza.
Mas cantais também assim
O meu amor, que beleza!

Vivamos em sintonia
Na mágica Primavera!
Belo concerto de pios
À janela nos espera.

Aves das mais variadas,
No meu jardim, habitais!
Nomear-vos gostaria.
Os chegados são pardais.

Dos que cantam belas árias,
Distingo o melro brilhante,
O pintassilgo aprendiz
E a toutinegra elegante.

Os pombos arrulham baixo,
Enquanto alegres trinados
No evento sobressaem,
Corações apaixonados!

`Stou feliz por vos ouvir
Neste precioso dia.
Nosso Senhor a ofertar
Santa Paz, doce harmonia!


PRIMAVERA FLORIDA
Maria da Fonseca


Neste meu jardim, as flores
Brotam ledas, altaneiras.
Olham o céu tão devotas,
Minhas gentis companheiras!

Brancas, azuis, amarelas,
Os seus nomes eu não sei.
Carinhosas, espontâneas,
A todas eu amarei.

Se pudesse baptizá-las,
Lindo nome, escolheria.
Nem glória, nem malmequer,
Mas simplesmente maria.

Dar-lhes-ia assim meu nome,
Também da minha Madrinha
E da Mãe de Jesus Cristo,
Nossa Mãe, delas e minha.

Ó Primavera a florir
Com a graça do Senhor,
E o canto do rouxinol
Em belíssimo louvor.

Lisboa - Portugal.

 

 

 


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