MARICI BROSS
in memoriam
E, quando ela dormiu,
O Pai lhe chamou baixinho
E lhe sorriu, dizendo:
Sê bem vinda, filha!
Estás contente?
Ela, com lágrimas nos olhos, respondeu:
Paizinho: Algo me deprime,
me ofusca a alegria
Pois não posso mais enviar o meu
Bom Dia, aos amigos que ficaram!
E, Deus sorrindo, complacente, disse:
Farás ainda isso, na voz dos passarinhos
que levarão tua mensagem de carinho
gravada assim: subliminarmente!
Pois quando teu amigo estiver chegando
entre o sono e o despertar,
ouvindo cantar a voz da avezinha
responderá: "Bom dia, Marici!"
Dirá isso sem mesmo saber por quê...
E sorrindo, julgará que disse isso sonhando!
Eme Paiva
27.11.07
FLOCO DE NEVE
Vinha preso ao ar, aquele verso...
Alvo do meu encanto... me embevecia...
Alvo de claridade, ele descia...
solto...
preso ao ar...
sereno e leve...
Vinha muito suave, aquele verso
diáfano, contente ao sol, que refletia...
Luz, que pequenina resplandecia...
ao sabor do vento...
livre e breve...
Vinha, como surfando, aquele verso!
Livre, preso ao dom de melodia...
dançava na minha alma, em estesia,
ave...
solto ao ar...
no azul imerso...
Era assim, tão leve aquele verso,
que, planando n'alma, aconteceu...
Como no ar boiando... floco de neve...
doce...
manso pousou e...
derreteu.
Eme Paiva
12.11.05
REMISSÃO
Quando a vida veio pelo tempo,
Me condenando a sofrer martirio,
Ditou-me as penas comuns dos exílios,
Dizendo: "Segue por teus descaminhos
e sofre tudo nesse passo lento,
que de sofreres irás evolvendo,
para depois retomar o caminho!"
Mas, afinal, a que devo isso?
se ao semear as virtudes rosas,
colhi braçadas de erros espinhos?...
Se dos meus gestos de cultivo as flores,
nasceram ervas de efeito daninho?...
Não! A vida não me sabe bem!
Me desconhece o temperamento!
Eu sou daquelas que se verga bem,
mas que não quebra, nesse dobramento!
Pois desse dom de me doer, também,
sob a pena do refazimento
eu sonho alto, não fujo para dentro!
Com as próprias penas da minha remissão,
Componho asas de soerguimento!
Eme Paiva
19.11.07