MINHA MÃE
Margaret Pelicano

A boca em pétalas nascida,
os olhos, duas pérolas negras a brilhar,
cabelos como a madressilva,
arrumados e perfumados a navegar
por sobre os ombros mineiros
maneiros no gingar,
assim era minha mãe;
hoje no auge de seus oitenta anos,
matrona elegante no caminhar,
lúcida, bela: um navegante
capaz de conduzir seu próprio barco,
bússula a orientar, conversar dialogar,
equilibrar caminhos amoráveis,
para os filhos e netos!
Meu lírio perfumado, minha mãe,
dentro do meu coração,
como Nossa Senhora no nicho do altar!

Brasília - 28/04/2008


DO REAL E DO IMAGINÁRIO
Margaret Pelicano

Procuro você,
feito louca,
silenciosamente,
em meu corpo,
em meu pensamento

Procuro por você,
estou excitada,
quero fazer amor,
só com você!

Tomo um banho demorado,
acariciando o próprio corpo,
os cabelos recendem a perfumes de flores,
me arrumo toda e saio à caça
vestida com botas, saia curta, blusa colada...

Busco você nos bares, boates,
caminho pelas ruas em sofreguidão.
Olho a tudo e todos, exalo o cheiro da paixão...
alguns homens me olham,
mexem comigo, continuo séria a percrustar a escuridão,
as luzes, os carros, os namorados...

Cadê você?
Sem você eu não fico feliz,
preciso dos seus beijos,
seu sexo, seus carinhos
Quero você em meu ninho
de calor, aconchego,
excitação

Já fiz outras tentativas,
já beijei outras bocas, nada me sacia...
nada me contenta,
só você me completa
e consegue sustentar essa paixão!

Onde você está, por Deus!
Venha se encastelar, ficar aqui comigo...
aqui tenho certeza:
você estará bem cuidado,
acariciado, sentir-se-á amado,
fuja das ilusões diuturnas,
imaginárias...

Nossa realidade, é o nosso amor
Minha casa é o nosso lugar
Minha boca é onde você deve beijar,
nossos corpos o lugar do prazer...
Nossos corações devem estar emaranhados de amor
Por isso, não consigo deixar você!

DF - 16/08/2003 

Soneto da Compreensão

De roxo fiz meu rendilhado.
Defloro dores e solidão,
para acalmar esse meu sanguinolento estado
composto de amor e paixão!

II
Fui linda! Em um dia isolado,
percebi a velhice que estava ao meu lado,
e agora choro o tempo passado
sem estar plenamente consciente do meu fado!

III
Vivencio os surtos idiotas da rotina,
buscando entender a linguagem divina
e o que Ele deseja de mim, nesse palco!

IV
Não mais blasfemo, não mais discuto,
acato tudo como Deus quer! Sou feliz? 
Creio que não, mas estou aqui pro que der e vier! 

Brasília - 12/04/2006 
 

 

 


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