MEU SONHO
Manuel Jorge Monteiro de Lima
É um sonho na vigília
Filamento de pensamento
À sombra de uma tília
À força de um argumento
De quando eu era criança
E pensava num mundo bom,
Formado de esperança
Que preenchia o coração.
Pela janela do meu trem
Hoje o tempo tão veloz,
No mundo que a gente tem,
Impaciente,voraz e atroz.
Em contraste a natureza
Generosa, nos envia
Uma imagem de beleza,
Um rastro de alegria.
Um mergulho no abismo,
Do meu Ser, vejo o caminho
Percorrido , um ai submisso,
Vejo um Ser em desalinho.
Sou o eu, todo obtuso, alheio,
Nem sei se sou verdadeiro,
Sou apenas o eu, manuseio
Do transe que sou herdeiro.
Manuel Jorge Monteiro de Lima
Alphaville 10-02-2008
Um nadica de nada
Tento escrever, o vazio de mim,
Freima, inércia, foge de mim o alento!
A inconstância, é este mar sem fim,
A confusão instalada como sentimento.
Há muito não escrevo, tudo me amua,
Fui tolhido, as musas de mim esquecidas,
Foram todas, pra face oculta da lua,
O mar do nada, vozes esmaecidas.
Mas de repente uma voz se salienta,
Num ouvido mouco, sensível ao amor,
É a Efigênia! A fada que amansa a tormenta,
E revela a carta náutica, a um cego navegador.
Entre ondas, no marasmo, espuma da vida,
Escuto a sereia, no seu canto sereno,
Acordo a vontade quase adormecida,
Parto pro amor profundo e pleno.
Tiro da minha face esta velha mascara,
Jogo-a no monturo das coisas passadas
Quero purgar o mal pela sagrada cascara,
E só lembrar das coisas belas e amadas.
Enfuno as velas, vou de peito aberto
Na popa do barco panos balançando,
Quero me alhear de qualquer deserto,
Se faltar o vento, sigo e vou remando.
E no mar aberto vou soltar ao vento
Esta percepção de um amor ousado,
Quero sentir a brisa do teu barlavento
No meu peito carente e encandeado.
Manuel Jorge Monteiro de Lima
Alphaville
Terça de carnaval de 2008
Judas
Manuel Jorge Monteiro de Lima
Parece que o falso caminha soberano,
Parece que o mal da força prolifera,
A emporcalhar a suave atmosfera,
Na imposição de um principio desumano.
Essa maldade de Judas tem seu efeito,
Na reta sombria, obscena e intempestiva,
Devassa , a nos opor à seriedade desta vida.
Uma outra blasfêmia , a injustiça ante o Direito.
Todavia à que crer na beleza da virtude,
Símbolo perpetuado no calvário pela Cruz,
A melancolia, a mansuetude da vitória de Jesus,
Seu olhar piedoso, perdoando-nos amiúde.
Dezembro 01 der 2006
Manuel Jorge Monteiro de Lima