Vidas em fusão
Vida nova, novo tempo se faz
Vida que te dou
No tempo de minha paz
Vivo tão intenso amor
Viveria outro menor
Vida que me vivifica
Fazendo-me esquecer a dor.
O vazio de antes, tão de outrora,
Pesar minguante, sem vez agora.
Vivo e me dou imensa alegria
Pois sem ti, a existência,
Um pouco me valeria.
Vivo intensamente tua própria paixão
Aceito sem pensar, nossa fusão.
À semelhança dos átomos seremos
Núcleo e complemento
Íons, cátodos, emolumento complementar
Nesta dança apressada, frenética,
Insiro-me na final identidade
De apenas e tão somente, pertencer-te
Indivisível por natureza
Nosso núcleo configura toda clareza
De um amor providencial!
Capivari, 28/01/2006 - José Roberto Abib
Céu
Meu mais claro antagonismo
É o absorvente amor ao abstrato
Esta busca contínua, ardente,
À qual me refiro de fato
Da teoria à realidade vai o pensar.
Caminho lado a lado com o destino
Mas neste momento sinto o desatino
Já que na credulidade firmei maioridade
E penso um dia te alcançar
Pois a distância entre tu e mim
Também se assemelha ao que me vai
alma adentro!
José Roberto Abib - Capívari, 16/08/2006
Tétrica algia
Quando chegarás? Vê, estou sofrendo.
Há nesta alma laivos de dor
Enfim, tira-me a calma, ter que transpor
Meus próprios limites
Distanciar-me de mim mesmo
Sonhando aleatoriamente.
Pois não sei se virás,
Mas enfim, compreendendo-te,
E também a mim.
Escolhe com presteza
E decidida clareza, o momento do fim,
Pois não deve durar
O tempo da detratora algia
Não posso sonhar em vão
Já me oprime o coração
Esta funesta melancolia
Esta teatral e álgida cena
Em que alguma tristeza, faz parte de mim!
José Roberto Abib - Capivari, 20/08/2006