AH, GENTE !
José Geraldo Martinez 


Ah, gente, que saudade !
Há dias que acho que vou enlouquecer...
Engraçado... pergunto-me
do quê ?

Saudade sem nome, sem endereço, sem acalanto...
Parece montada em um cavalo pelas pradarias,
cavalgando antigos dias,
um corcel branco!

Ah, gente, que saudade !
Sem rosto, sem gosto , sem cheiro .
Não consigo distinguir...
Seria dos beijos que dei, dos amores que
me entreguei, dos corpos que possuí ?

Sei que chega funda, com uma nódoa
na garganta...
Seria dos amigos que partiram?
Saudade sem rumo
de mim, criança?

Ah, gente, que saudade !
Nesta noite fria de quase julho,
sinto-me vazio sem acolhida .
Sem motivo ou razão,
com uma saudade doída!

Será esta melodia?
Não estava assim noutro dia...
Escutava em paz em minhas divagações!
Hoje, tudo é motivo e várias, as razões...

Razões que eu desconheço,
motivos que não tenho para explicar!
Ah, gente, que saudade !
Vontade só de chorar .

Seria do adeus que pronunciei ou
da somatória de dores que juntei em minha vida?
As comportas romperam de meus olhos,
com lágrimas desconhecidas...

Sei que tenho saudade!
Claramente mostradas nas lágrimas 
que cortam meu rosto...
Ah, gente, que saudade!
Costuma desaparecer pelas manhãs 
do mês de agosto !

Com o vento vai a saudade .
Costuma voltar no frio !
Sem rosto, endereço .
Ah, gente ...
vem querendo preencher o meu vazio!



"O único Paraíso que não podemos 
ser expulsos é o da Recordação"
( A.D)

AGRADEÇA
José Geraldo Martinez

Se eu partir e tempo não houver para despedir-me,
diga ao anoitecer que fui!
Mas que deixo a lua no céu,
a estrela no firmamento...
Que fui com o vento!

Diga ao mar obrigado pelo infinito azul,
pelas ondas cantantes
nas praias distantes de norte a sul.

Às aves do céu minha gratidão.
Pelas manhãs barulhentas!
Ao vento, obrigado!
Pelos recados costumeiros,
fiel mensageiro da minha saudade...

As flores dos jardins,
das campinas sem fim,
meu amor por inteiro.
Perfumaram-me os sonhos,
louros e derradeiros.

Se eu partir
e tempo não houver para despedir-me...
Agradeça a chuva que regou os meus campos,
brotou minha semente,
embalou o meu sono.

As montanhas altaneiras,
rios e cachoeiras que banharam meus filhos!
Ao sol da manhã, obrigado, obrigado,
pelo calor, pelo brilho!
Aos amigos verdadeiros, pelo afago e as palavras.

A minha mãe, obrigado.
Pelas canções com que me ninava.
Pelas lendas e histórias...
Pelos meus contos de fadas!

Agradeça por mim, meu velho pai.
Nossas brincadeiras...
E os segredos, que os guarde pela vida inteira!

Agradeça por mim, ao Senhor.
Se eu partir
e tempo não houver, e ninguém prá me ouvir...

Deixo amor!

SERÁ?
José Geraldo Martinez

Será que um dia seremos reais,
não apenas seres virtuais ?
Não nos perderemos nos caminhos
cibernéticos,
em paixões fugazes de um tempo ?

Será que um dia meus lábios pousarão
nos teus?
Minhas mãos tocarão as tuas?
Será que um dia andaremos perdidos
pela solidão das ruas ,

quando não teremos qualquer
impedimento
de distância, compromissos e tempo
e escutaremos juntos o barulho
da chuva ?
Será que um dia olharei em teus olhos e
não apenas pelas fotos frias e mudas?

Será que um dia os e-mails serão apenas
lembranças?
Ouvirei a tua voz me despertando
nas manhãs?
Quando olharemos a primavera desnudada,
à sombra dos muitos flamboiãs?

Será que um dia nossos corpos se
encontrarão?
Quando deixaremos a lua nos fotografar?
Será que um dia brincaremos
nas ondas do mar ?

Será que um dia seremos reais
ou nos perderemos nos caminhos
cibernéticos,
onde um fio nos liga a comunicação?
Voltaremos a esse mundo irreal e patético
a troco de uma tola ilusão?

Será que seremos mais uns
a ficar das paixões, em lugares comuns,
sonhando com um amor
para a posteridade...
Abdicaremos de sermos felizes a bem de uma sociedade?

Morreremos hipócritas,
velhos e esquecidos à frente
de um computador,
chorando a sorte jogada fora um dia,
quando negamos este amor ?

Será que nunca farei amor contigo?
Quando não teremos
qualquer impedimento?
Tenho medo, não é tempo. É proibido?

Será que um dia seremos reais?
Normais...
Menos ilusionistas?
Um pouco mais nós,
menos artistas?

Determinados, corajosos,
valentes?
Vivendo apenas a nossa vida...
Menos os outros e mais a gente!

Será que um dia seremos reais?
Quando deixaremos de ser poetas
sonhadores,
ocultando, em versos, nossas
dores?

Será que um dia,
provarei o gosto do teu beijo?
Sentirei o teu cheiro, enfim...
Mataremos nossos desejos?

Morreremos num caso virtual,
numa fofoca fútil de um grupo,
simplesmente?
Entraremos em web. É normal?
Até que nos esqueçam novamente!

Será...será...será ?
 

 

 


Todos os direitos reservados
Sala de Poetas
AVSPE
Copyright © By Efigênia Coutinho
2006

Esta página, composta por texto e arte gráfica,
é protegida pela Lei de Direito Autorais -
LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998,
e pelos tratados e convenções internacionais.
Respeite os direitos da autor,
para que seus direitos também
sejam respeitados, sempre.


CrysGráficos&Design