Para Efi, com carinho,
um poema único
um poema humilde
sem humilhações
um poema úmido de ternura
duro mais que pedra
conforme seja o amor
a necessidade da vida
a verdade ou a razão
um poema claro-escuro
no qual se urdem todos os tons da paz
da paixão
sem se dobrar ao luxo
à luxúria verbal
à ostentação
um poema urgente
solto peixe ou pássaro
na corrente das letras
na correnteza dos dias
um poema único universo
invisível fio azul
a poesia de todos os poetas
entre as malhas do futuro em construção
libertária rede sem fronteiras
um poema único sol imensa constelação
João Evnagelista Rodrigues
SOL NOTURNO
escrevo sob sol noturno
rumino fantasmas antigos
nomes furtivos
rumino mínimos objetos surdos
na aconchegante confusão das sombras
a cegueira em mim é paciente signo
resistente verso que o tempo em riste
laborioso veste
vidente triste tudo sente e profetiza
sob sol noturno o poema desanoitece
João Evangelista Rodrigues
Arcos, 27 de novembro de 2007
recado
mande já estou aflito
mande não estou normal
um raminho de jasmim
um pedaço de meu grito
vou vivendo por aqui
solidão é de granito
é mais real
jure por Deus
mande pra mim
um vidrinho de mandinga
um céu azul
não é por mim
nem por você
é só porque não sei viver
sem ver o amor
sem ser feliz
joão evangelista rodrigues
arcos, 11 de fevereiro de 2008
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