Éolos
Jandira Mello de Almeida Cahet


Choram cometas no céu
Anêmonas no mar passeiam
O vento da aurora desliza e ondula
Mantendo o rítmo em sua dança

Desponta aurora e um novo dia
E malva-rosas que o infinito miram
Da tíbia flauta o clamor ameno
As dálias dormem numa calmaria

Do vento que está cantando
sussurrantes sortilégios lunáticos
De todos os antigos eflúvios noturnos
Na alquimia de éolos errantes

Em meio a tíbios timbres de violinos
Deslizam garças em lânguidas melodias
Olhei os crepúsculos, das manhãs e tardes
No deleite dos ventos em rebeldias.


Improviso
Ubirajara Mello de Almeida
Jandira Mello de Almeida cahet

Com quantos paus se faz um verso
para torná-lo verdadeiro poema
com casca de madrigal imerso
nas águas do mesmo tema

E se o rio ao contrário
levar troncos e folhas de volta
pra natureza do berçário
onde a língua perene se solta

E se a seca matar as raízes
nos sacrifícios dos infelizes
sílabas que são corretas?

Sei das palavras matrizes
por onde passam as cicatrizes
que alimentam os poetas



Versos urdidos na desmedida
mentira retórica que constrói a poesia
com folha de malva-rosa dormida
nas regras do tempo de aporia

Enlouquece em verso a natureza
tomando direção incerta
para o poeta rimar com beleza
coloca a linguagem em alerta

Diz inverdades veladas no verso
na difícil vida do universo
com palavras que sublimam

Conheço também o reverso
que fez o ser perverso
na magia que estimam.

De Repente o Amor
Jandira Mello de Almeida cahet


No silêncio de um bailado adormecido,
a noite inteira não amanheceu
a indecifrada visão do sonho acontecido
num solitário coração de Romeu
como um desmedido transgressor enlouquecido

De repente o amor chega voando
e com desejo se implanta em nosso coração
de repente os corpos se fundem dançando
em sentimentos que tremulam pela emoção

Amamos a beleza da vida nesta hora
que acompanha a música dos passarinhos ao meio dia,
pois é por te amar que te tenho agora
numa dança lânguida da eterna melodia

De repente uma luz divina
e uma música que ondula junto a flor
frêmitos, sons de flautas e passos de uma bailarina
com perfume aromatizante de amor

Pois amar pra mim sempre foi 
o céu macio escasso, espaço
que traz conhecimento do vôo, mas não
do repouso, da vida que perdemos vivendo.

Jandira Mello de Almeida 
 

 

 


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