"APENAS UM SINAL"
Iranimel

Queria ser uma canção
Para você me cantar,
Ou ser aquele violão
Que sente o seu dedilhar!

Queria ser cada nota,
Ré, mi, fá, sol, lá, si, dó,
Executada entre beijos,
Para acender seus desejos.

Da semibreve à semifusa,
Em qualquer tempo querido,
Queria ser sua musa!

Enquanto notas,
Durante uma execução,
Eu surgiria num crescente,
Para que o ritmo entre nós,
Evoluísse mais quente!

E, se na sua partitura,
Eu fosse apenas um sinal,
Depois de finda a canção,
Queria ser a fermata,
Sem tempo de duração. . .

Realmente ilimitada,
Sem fim!
Assim eu ficaria em você,
E você para sempre em mim.


Sacramento - Califórnia
Maio /2005.


O Chapéu e a Bengala
Iranimel


Todos os dias
Aquela cena se repetia!
Ele pegava o chapéu e a bengala,
Dava um beijo em sua amada,
Dizia, até logo, e saia. . .

Estavam casados há muitos anos,
Ela também o amava, e como!
Mas, com ele, sempre implicava,
Assim que da rua ele voltava;

-Alvarez! Eu já não falei?
Não quero que coloques
Sobre a mesinha da sala,
Teu chapéu e tua bengala!

E assim o censurava,
Toda vez que pra casa ele voltava,
Deixando sobre a mesinha
O chapéu e a bengala!

Elisa era muito organizada,
Não suportava o que quer que fosse
Pela casa espalhada;
uma poeira, um cheiro estranho,
isto, aquilo, um quase nada!

O tempo que mais dói
É o que a gente recorda
Da pessoa amada
Um gesto, um sorriso,
Lembranças de um beijo
Que nos lábios acorda!

Ah! Saudade imensa que não finda!
“Eu daria tudo”... pensa Elisa. . .
Sim, meu amado Alvarez!
Eu daria tudo de mim, agora,
Para encontrar, sobre a mesinha da sala,
Teu chapéu e tua bengala.

Iranimel.


É SEMPRE ASSIM
Iranimel


Deixei minha porta entreaberta,
Por imprudência ou carência, não sei,
Só sei que você voltou.


É sempre assim. . .
Após longa demora, de repente chega a hora
Em que a saudade marca "GOL" !!!!!!!

Você não mudou,
Eu também não. . .
Sempre pela mesma razão,
O coração comete a falta!

Se, da memória
Não deletamos nossos segredos,
Um dos dois sempre volta, sem medo,
Reviver daquele tempo, a história.

O vento suspira e roga aos céus, 
Por nós dois o perdão,
Pois para o amor não há razão
Maior, que o desejo de amar.


Coisas boas que o tempo, passando,
Descuidado, nos juntou!
Hoje inda dizes que me ama. . .
E, eu também rolo na cama,
Pensando em ti, meu amor!
 

 

 


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