Não me negarei©
Elizabeth Misciasci


Não me conhecerão por aquilo que não sou.
Nem por mim, nem por ti, nem pelos que passarem
por caminhos que não me pertenceram,pois
é trilha certa que seguir, não vou.

Não saberão qual a cor do céu que me encobria,
nem a paisagem que mais me encantava,
ou a dor mais profunda que eu sentia.

Não me ouvirão, por tantos momentos que me calei...
Nem pela voz que mesmo bradando, 
devastando, fiz clamoroso protestar,
ou pelas palavras mudas, que há muitos dediquei.

Não saberão em qual tom entoei este canto,
nem se a minha melodia era o fruto de uma irreverência
que opositora se fazia, em formato de sonata... 
Reproduzida com o intento de esconder meu pranto.

Não visualizarão 
as infinitas fotografias que já rasguei;
nem os lúcidos pensamentos que em desvario
frutificaram-se nesta mente sã e fecunda,
e, que por serem inanimados, não compartilhei. 

Não conhecerão o brilho dos olhares que não dei,
nem pelos tempos passados, nem pelos dias presentes,
pois meu consolo, vem "do saber" que não me perco
nem me desencontro, por aquilo que não sonhei.

Não saberão em qual direção irei andar...
Se deixarei meu corpo e minh'alma em qualquer chão,
se estarei entre o céu ou a terra,
se alcançarei o horizonte ou atravessarei o mar.
Pois nem por mim, nem por ti, nem pelos que passarem
por caminhos que não me pertEnceram,
a minha estrada irei percorrer, 
mesmo que a me devastar... 
tendo a alma tão machucada... 
Não me negarei.


Direitos Reservados.
Registro de Averbação:252.901- 
Biblioteca Nacional- Ministério da Cultura

Olho no Olho©
Elizabeth Misciasci 


Dos meus medos faço canção 
embalando meus sonhos em desatino. 
Desvairada num anseio turbulento 
de quem se despede da razão.


Envolta persisto e desisto, 
Insegura, me entrego aos desvios 
do vazio que minh' alma teme 
meus dias são passados distantes 


Versos sem rimas que se apagam 
Folhas secas caindo a fremir 
Atroz aparente disfarçada audaz 
arsenal revestido conclama conciso, 


Mar a ser atravessado 
sem barco nem remo 
Necessidade de transpor 
lanço-me neste fluxo... 


Incerteza é direção 
niilismo insistente 
desordenada renego 
este meu perecimento. 


Canção que me decompõe 
harmonia espacejada sem ritmo 
procriada dos meus medos 
transformados mal grado e solidão. 


Olho no olho 
encaro meu ego sem receio 
sou de mim mesmo esteio 
Dos meus medos, faço canção. 

São Paulo-SP
Direitos Autorais da obra reservados a
Autora Elizabeth Misciasci®
Registro de Averbação- Biblioteca Nacional
OMB:- 6.401


Leviatã®
Elizabeth Misciasci

Eu te desejo
De forma salaz.
Imagino teus dias
Engendro tuas rimas
Adorno teu cais.
Tu me cobiças
Dizima o pecado
Retoca a jusante
Prepara a igara.
Em devaneio...
Me leva pro esteio
Como degelo
Selando a razão.
Ele nos olha
Imagina um degredo
Degusta teu vinho
Venera um passado
Apossa o legado.
Leviatã...
Teu nome é marcado!
Foges ao léu
Nefando é teu rastro.
Nós nos amamos
Imantados na febre
Fremente bailando
Acompanha à maré.
Percorre meu corpo
Navega em min’alma
Sussurra um idílio
Num malabar.
Vós sois poeta
Invasor destas terras
Semente anêmona
Que brota da pele...
Sonhos profanos!
Passeio em teu cais
Te observo á distancia...
Eles relegam,
Nos banem da terra.
Buscam nácar
Pura utopia!
Como mandinga
Te olho no espelho
Marulho a soar
No ar maresia.
Estou a manar
Desejo que grita
De forma salaz,
Imagino teus dias!

 

 

 


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2006

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