Querer...
...eu queria tudo.
A minha coluna mestra,
girou, em torno de quê?
Da vida, uma só questão,
emaranhada em porquês,
quedou-se interrogação.
Não sou esquerda nem destra
exagero na intenção,
mas falta-me a gota a mais
dizer dos meus olhos mudos.
Na revoada em festa
do amor em debandada
não vejo, sequer, pardais.
Meus sentidos são tão surdos!..
...E, eu, fluidez em curso
área não especificada,
difícil, demarco o nada
em contorno de cristais.
T.Otoni, 06/2008
Cotovelo
no parapeito e o pleito
de quem menos vale, velo.
Tribuna de peitos e o jeito
não é julgar, antes, pelo
contrário, um deixa pra lá,
qu' a vida envida passar
em praças, calçadas, ruas,
procissão de dor mais crua.
Elane Tomich
Teófilo Otoni, 2008
Lacre
Beijo-te por força do hábito
hálito de manjericão
menção ao fluíco-ácido
tácito rito e passagem,
ágio pouco de tanta de emoção.
Beijo-te hábito espargir do hálito
bicarbonato, hortelã
manhã de sol rouco, oco, plácido.
Máximo é luzir em teus braços
lassos em lacre de abraços.
Elane Tomich
Poté, 31 de janeiro de 2008
O Meu Poeta de Hoje
Elane Tomich
O meu poeta de hoje
é um todo racional,
fato exato, não existe.
Faz uns versos-desabafos
da emoção que lhe foge.
Pelo menos ele a mim
pouco escuta, mas persiste.
É um tipo ocasional
lamento vulgar de amor
salta um...
...rima com dor.
Falante na frustração
do umbigo ao coração,
amarelou, salta um...
... tropeçou, como doeu!
Esse poeta nenhum
anoiteceu e sou eu.