Adeus
Bruno Grossi
A vejo sorrindo
Como se não o quisesse.
Sua mão em sua testa
Franzida e suada
Como quem sua
Num estado fatídico febril.
Eu me deparo com o seu olhar,
O olhar insano de quem
Não precisa mais viver.
Tuas pálpebras descem lentamente
Como se estivessem
Profundamente sonolentas.
Uma lágrima escorre
Como uma única palavra...
... adeus ...
Cactos
Bruno Grossi
A sombra me persegue,
Sob a névoa
Não consigo me mover.
Sou incompreendido,
Preso em um muro
Ou em meu próprio pensamento.
Meus olhos já não fixam em algum lugar,
Como a lua pára para te olhar.
Estes vilipendiados olhos
Doem, choram e imploram
Para que fiquem só.
Não consigo me livrar
Do infortúnio calar.
Sinto pessoas a me olhar,
Como um animal devora
A sua insípida carniça.
Creio que irão matar-me.
Sinto-me desprotegido, frágil, inútil.
Sinto-me sem amor, sem dor e sem desejo.
Já não sei o que fazer,
Procuro a solidão
Para que a minha trágica energia
Não contagie as pessoas.
Para que o meu olhar
Não cruze com os demais.
Assim terei meus próprios sentimentos,
Meu próprio coração,
Que a cada despertar
Encontra o silêncio.
Estou surdo e cego,
Estou inválido.
Submeto-me ao inoportuno desespero,
Ao incômodo calar.
Viver agora dói,
Não mais a quero.
O Séquito Amor
Bruno Grossi
O séquito amor,
A insolência mordaz
Perpetuam a ingratidão.
A fosforescência da dor,
A inconstante razão
Diviniza a morte.
A bravura incolor,
O invisível sofrer,
O rebuscar da alma,
O martírio ininterrupto,
O destoar da fúria,
O gozo intolerável.