EFIGÊNIA,
UM APEDIDO!
Bernardino Matos.
Efigênia, minha amiga,
já fiz de tudo na vida,
já vendi bala perdida,
vendi beijo de formiga,
tamborete de urtiga,
bunda de tanajura,
pro cabra fazer fritura,
vendedor de alfenim,
eu só me perdi de mim,
quando quis comprar ternura.
Fui domador de serpente,
fabriquei algodão doce,
mas vendi como se fosse,
um calmante pra valente,
eu vendi cachorro-quente,
muita farofa com tripa,
fui fabricante de ripa,
fui catador de piolho,
orientador de caolho,
de milho vendi semente.
Também fui um bom vaqueiro,
sou louco por poesia,
me traz paz e harmonia,
mas nunca fui cirandeiro,
apesar de cancioneiro,
eu fiz todo esse rodeio,
e embora com receio,
vim pedir pra hospedar,
nosso “Antes de Chorar”,
são 32 seu recheio.
Eu tentei organizar,
mas são tantos os poemas,
são tão ricos esses temas,
eu não sei como explicar,
que não tenho onde hospedar,
não quero criar problema,
nem manchar seu diadema,
você é organizada,
sua obra é planejada,
e eu sou sem estratagema.
Mas como bom vendedor,
eu sei que pedir não dói,
não afeta nem corrói,
lhe ofereço uma flor,
sou seu admirador,
seja qual for a resposta,
na clareza de quem gosta,
aqui fica meu carinho,
nesse trecho do caminho,
nessa mais linda encosta.
Fortaleza, 15/04/07
QUANDO EU PARTIR!
Bernardino Matos.
Eu estou sempre partindo ao adormecer,
fecho os olhos saudoso, preocupado,
com a minha família o que vai acontecer,
entrego tudo a Deus, sinto o coração aliviado.
O caminho da morte é tortuoso, descompassado,
a gente vai andando, perdendo forças, cansando,
as pernas perdem a vitalidade, faz-se presente o
passado,
o único adversário da morte é o amor, ele vai se
eternizando.
A morte seria um sono tranqüilo se na despedida,
tudo tivesse resolvido, se nada ficasse
pendente,
se ao redor do nosso leito não se falasse em
partida,
mas de reencontro, de uma nova paixão ardente.
Eu gostaria que Deus me deixasse partir,
sem lágrimas, sem saudades,sem ressentimentos,
que fechassem meus olhos com ternura e pudesse
ouvir,
você fez o que esteve ao seu alcance, nossos
cumprimentos.
Eu não gostaria de sofrer, de sentir dores, de
chorar,
de querer ficar, de deixar algum sofrimento,
meu desejo é me encontrar com Deus, para Lhe
contar,
sobre minha luta, minha vida, sem lamento.
Eu gostaria de partir num dia chuvoso,
para sentir o cheiro da terra molhada,
para deixar meu sertão esperançoso,
de saber que vai haver uma invernada.
Gostaria que tudo fosse rápido, sem espera,
sem ansiedade, sem desespero, cheio de paz,
para que ninguém diga, também pudera,
tanta luta por nada, agora ele ali jaz.
A morte para mim jamais será um alívio,
um descanso eterno, uma recompensa,
é maravilhoso amar e ter convívio,
com pessoas queridas, que carinho nos dispensa.
No último suspiro quero agradecer o meu trajeto,
foram tantas as oportunidades de ser feliz,
de amar, de me doar, de me entregar, de dar
afeto,
que possa dizer a Deus , me abrace pelo que fiz.
Fortaleza, 11 de outubro de 2006.
VAMOS CELEBRAR!
Bernardino Matos.
Celebre o convite que Deus lhe fez,
para existir, para dar continuidade,
à obra da criação, faça-o com altivez,
pois você é o reflexo de sua divindade.
Celebre todo santo dia seu nascimento,
mesmo que não tenha santo de plantão,
agradeça a Deus pelo conhecimento,
adquirido, por ter se arrastado no chão,
Celebre o desvelo de seus pais, a canção,,
de ninar cantada, à noite, para você dormir,
o peito que lhe deu mamar, sua alimentação,
para que você crescesse resistente, forte e são.
Celebre sua honestidade, pela palavra dada,
resgatada, honrada, quando você cumpriu,
o que prometeu, a promessa emp enhada,
zelando pela credibilidade, que esculpiu.
Celebre o fato de estar feliz, de mãos dadas.
com a namorada, que lhe dá afeto, carinho,
que fará longas e cansativas caminhadas,
enfrentará os altos e baixos, do seu caminho.
Celebre os filhos que encantam sua trilha,
que crescerão ao seu lado, com amizade,
que por você farão verdadeira maravilha,
e lhe acolherão na velhice e terão saudade.
Celebre o apoio e a presença dos amigos,
com os quais compartilhou as ansiedades,
com quem dividiu agruras e os perigos,
de quem recebeu ajuda nas adversidades.
Celebre, sobretudo suas boas e belas ações,
ao amparar os pobres, os desamparados,
ao dividir com os humildes suas emoções,
ao ouvir as lamúrias dos desacreditados.
Celebre o dia, a noite, o dormir, o acordar,
o respirar, o se sentir livre, vivo, apaixonado,
o nascer e o por do sol, o vento, a lua, o mar,
o orvalho da manhã , a beleza do céu estrelado.
Celebre essa fantástica magia do nosso viver,
o fato de ser parte integrante do universo,
de conseguir tudo o que você gostaria de ter,
o repudiar, diariamente, o que há de perverso.
Façamos do nosso dia a dia um calendário,
de celebrações , com cânticos e louvores,
ao amor, à solidariedade, ao nosso itinerário,
traçado para não termos no caminho dissabores,
Celebremos a proteção diária do anjo da guarda,
que segue os nossos passos e tenta nos proteger,
de nossas incoerências, ele chega a tempo, não
tarda,
enfim celebremos nossa existência, nosso viver.
Celebremos a união, a paz, a amizade, o amor,
afastemos de nosso caminho os ressentimentos,
integremos essa procissão de paz, sem rancor,
deixemos nossa alma livre e puros os
sentimentos.
Celebremos a existência da AVSPE, seu belo
roteiro,
entoemos hinos de louvores aos dons recebidos,
sejamos, em todos os momentos, um ser
verdadeiro,
façamos parte dessa enorme família dos
escolhidos.
Fortaleza, 10 de julho de 2007.