REALIDADE
Antuérpio Pettersen Filho
Quando eu me dei por mim,
Ela já estava ali...
Batendo por detrás da porta
tocando a campainha
insistindo em entrar...
Eu corri, e tranquei a janela.
Fechei as cortinas, prendi a respiração.
Apaguei as luzes... Fingi dormir.
Então, em um golpe certeiro
Ela pôs abaixo a porta...
Entrou na ventania
os pés sujos de barro
manchando o carpete da sala.
A minha biblioteca
ficou toda revirada.
Ela não vacilou:
Bateu na minha cara
sentou no sofá da sala
e ficou ali me olhando...
Minha vida estava por um triz.
Chegou invadindo o meu lar
destruindo os meus sonhos...
Eu nem havia chamado
mas Ela estava ali
me cobrando ser homem,
e a decisão.
(Do Livro “Inconfidente Mineiro –
Ilustrações & Poesias”
de Antuérpio Pettersen Filho – 2000 –
Publicação Independente )
DRUMMONDIANA
Antuérpio Pettersen Filho
No meio
da pedra
tinha
um caminho.
Tinha
um caminho
no meio
da pedra.
A minha casa
é toda feita
de solidão...
Dentes rangendo
cobertores se arrastando
pelo chão.
Há dias em que
me entristeço.
Há dias em que não...
Há dias em que
tenho medo...
Há dias em que não !
(Do Livro “Inconfidente Mineiro –
Ilustrações & Poesias”
de Antuérpio Pettersen Filho – 2000 –
Publicação Independente )
AMOR À PORTUGUESA
Antuérpio Pettersen Filho
Eu beijo de língua
a Língua da Portuguesa
mas isso me faz
sentir-me mau.
Aliás,
não sei se me sinto mal
com “l”
ou se me sinto mau
com “u”:
Pensando bem
me sinto bem !
Meu bem.
(Do Livro “Inconfidente Mineiro –
Ilustrações & Poesias” de
Antuérpio Pettersen Filho – 2000 –
Publicação Independente )
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