TRILOGIA DO
AMOR
À Wilma, minha esposa
CARTA DE AMOR
Amor, eu felizmente estou bem de saúde;
Só o que me estraga aqui é a louca da saudade...
Incrível nostalgia esmaga sem piedade
Meu coração dorido e de pouca virtude.
Mas a esperança é grande como a eternidade!
Você agora vindo, eu sei que meu ser rude
Melhorará bastante, o tanto que não pude
Fazer tão só e só com força de vontade.
Daqui a poucos dias as horas serão calmas
E nunca mais aflitas, como no passado,
Pois estarão bem juntas nossas duas almas.
Com toda a fé em Deus aguardo o casamento
Que nos trará um mundo bem-aventurado!
E, até lá, um abraço e um beijo... em
pensamento.
BODAS DE PRATA
Faz vinte e cinco anos, meu amor,
Que aos pés do altar de Deus nós dois juntinhos,
Juramos ser fiéis e, qual pombinhos,
Viver de arrulhos, mesmo frente à dor.
Havia em nosso peito um tal calor
(calor igual ao que se tem nos ninhos),
Que os nossos corações então brotinhos
Fundiram-se no mais profundo ardor!
E foi tão grande o amor que nos unira,
Que o passar dos anos não esmorece
(e até, pelo contrário, robustece!).
Por isso, tanto amigo até admira
E diz: “Como é que ambos de Leão
Superam tudo e vivem na união?”
BODAS DE OURO
Eu agradeço a Deus por ter nos dado
A mim e minha esposa em casamento;
E tempo para amar e ser amado
Bem, sob as graças deste Sacramento.
Também, bom Deus, o meu muito obrigado
Por nossa prole, nosso encantamento;
Os nossos filhos, Pai, são o legado
Que almejamos deixar em testamento!
Abençoai-os, assim, como abençoas
Há já cinqüenta anos o casal,
Que para agradecer-vos só tem loas!
Que os nossos filhos e também seus filhos
Tenham em Cristo, sempre, o seu fanal,
Pra que outros tantos sigam os seus trilhos!
Amilton Monteiro
NOSTALGIA
Amilton Monteiro
Dês que deixei o meu amor na Ásia
E vim tentar a sorte no Brasil,
Estou vivendo quase em distanásia
Com as fortes dores de um amor-febril.
Eu vou ser franco, sem antonomásia
E absolutamente sem ardil,
Não quero nem pensar em eutanásia...
Prefiro suportar a vida hostil.
Vou procurar lutar o quanto possa,
Cavando um meio pra mandar buscá-la
Bem antes que eu me afunde numa fossa...
Certeza não me falta que, ela vindo,
Mesmo sem dote algum ou até sem mala,
Eu vou sarar e vou viver sorrindo!
DESERTO
Amilton Maciel Monteiro
Eu hoje vou fugir para o deserto,
Onde pretendo ouvir mais bem meu Deus,
Pois cá, no corre-corre não dá certo,
Não ouço nem os próprios brados meus!
Lá no ermo, vou tentar chegar mais perto
Do Salvador e...longe dos ateus.
E ver, assim também, se me liberto
Dos que impingem os ateísmos seus.
Tenho certeza que na solidão
Eu ouvirei meu Deus, que mora em mim,
Dizendo coisas ao meu coração.
Coisas que muito irão me esclarecer:
Por que é que eu vim ao mundo? Com que fim?
E o Senhor irá me responder!