Roberto de Oliveira  AVSPE 2008
                                                                          

   
O Encontro


Alcei vôo nas arestas do mundo
achar quando, isto eu não sei.

Mas vou buscar fecundo
estou certo, encontrarei.

Sobrevoei vales e montes,
rios sinuosos e aldeias...

Povoados aglomerantes,
selvas densas, inexploráveis...

Deserto em brasa.
Cruzei até os sete mares!

Vi povos distintos,
ouvi suas línguas dessemelhantes

Sol ardente, secante inclemente,
claridade ofuscante...

Anoitecer prateado ou despojado,
trevas constantes,

Frio intenso, nevascas profusas...
Tudo intrigante.

Chuvas trovejantes,
ventos uivantes...

Mas nada disto me detém.
Ir em frente me convém!

Dias aforei, noites adentrei!

Ouvi o clamor da fúria cega!
Procedeu batalha!

Arcabouços destroçados...
solo rubro...

Banquete dos vermes...
das aves famélicas...

Tanto algoz quanto vitima
nem um mérito a cortejar;
um pensa que vence,
o outro perde o pensar.

A diferença, semeia acintosos indiferentes
para o justo colher o parvo impudico resultante.

Admirei a fome suntuosa
habitar sofregamente
no mesmo tugúrio
da miséria faminta e torta

Ouvem-se brados...
MAS... QUEM SE IMPORTA?!

Observei castos
que dão pernadas no piso,
outros, em rios de lágrimas,
extraordinárias braçadas...

Firma o teu passo mortal sem compasso!
Geração dúbia! prole extraviada!
Teus sóis já são breves e desarrimados.
P'ra que anoitecer em descompasso?

Tanta birra me tirou a rima...
E quase esqueço a missão
de encontrar a cobiçada,
e arriscar união.

E enquanto aqui busco afeição,
acolá se controvertem em fel, em vão...

Uma donzela eu avistei.
De cujo peito,
a amabilidade sobejava
Do Cavaleiro relatei,
dos teus enigmas, alegava.

A
púbere, interesse denotou.
Assentei-a em meu dorso,
ensaiei regresso.
Quando um sopro em meus ouvidos
austero apregoou:
- Criatura alada e fabulosa!
Apartai-te da donzela de fervor.
Trocai esta rosa majestosa
por qual desconhece o amor.

Deixei a moçoila de lado
nenhum desapontamento esboçou
pois não lhe escassa extasiados
qual a voz me revelou.

Em nova busca me empenhei
uma dama triste a deparar.
Do ser dúbio asseverei
Um brilhantismo no olhar

Mas a dama é uma fada!
Padece de apego,
carece de fulgor...

E está aprisionada!
Só posso libertá-la
com meu mentor...

Vôo pleno muito apressado,
com o Cavaleiro
me encontrei.

Entusiasmado,
relatei o grande achado.
Ficou reflexivo,
creio que o motivei.

Doravante,
só me resta esperar
se a fada ele liberta,
qual rumo irá tomar...

Autor: Roberto Oliveira – Alter ego: Drago

Mundo Poeta Junho - 2003

Obs.: Todas as obras advindas do “O Encontro de Almas” são em respostas às obras da Fada das Letras e algumas poucas, da poetisa Fátima Rodrigues.

 

          

 

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