O Cavaleiro Ceifador – Epílogo
Me nome é Morte

Meu jugo é leve
e o meu toque, suave...

Não faço colheita temporão
Resguardo no fundo do abismo
quem é jogado de precoce
Por aquele que se diz; seu irmão.

Quando recorres ao suicídio
Não é pra vires ao meu encontro
És tu que estás fugindo indócil
Ao teu próprio desencontro

Consinto ao vento derruir
A folha amarelada
para que viva onde cair
outra relva persistida

Se tombares inerte não fui eu
Alguma mazela que te abateu,
mas não estarás desvelado
porque estarei ao teu lado

Teu irmão te ceifa com prazer
e sou eu o Ceifador?
Lastimam em teu jazer...
Mas quem causou a dor?

Aniquilaram aquela nata
Em ligeiro ofegar
Pra perfumar o teu féretro
E decorar a tua cova

O berço que te embala
A alcova que detém tua fadiga
A mobília da tua sala
O lar que te abriga...

MADEIRAA!!!!!!!!!!!!!!!

Porque temes a mim?
Quando ganhastes vida:
Tua carne para o pó
Tua alma para mim

Dilaceras tua carne grácil
Quando atentas abusão
Qual presa parva e fácil
Vens em minha direção

Sou tanto inadiável
Quanto o nascer da alva
e tão notável
quão o cair do ocaso

O meu vale não é das sombras
sombria é a tua alma...

O meu jugo é leve
e o meu toque, suave

Alarmante é a forma de findar
Para que os vivos não se apressem
Em vir me pesquisar

Cessai as tuas guerras
Sustentai o aflorar
Preservai as tuas terras
Respeitai teus rios, mar e ar

Porque temes a mim?

Com teu jeito de viver,
Tal maneira em governar...
Eu que devo te temer,
que careço lamentar...

A vida é a seqüência
da morte.
A morte é a conseqüência
da vida

Autor: Cavaleiro Mago
Julho - 2005

 

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