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Desde o Século IV, o Natal é comemorado no dia 25 de
Dezembro, conforme recomendação do Papa Júlio I. Natal, como o
natalício de Cristo. Não como uma Missa ou uma Festa. No entanto, no
Século V, no ano de 476, ocorre a “Queda de Roma”, que já vinha se
prenunciando há décadas. As fronteiras do antigo império ruem.
Começa então, efetivamente, a serem costuradas as vigas da
Civilização Ocidental Cristã. Há uma profunda alteração nas normas
econômicas da sociedade ocidental. Na visão marxista, passamos da
economia escravagista, para a economia feudal.
Catequizar e levar a mensagem de Cristo por toda uma
Europa desconhecida, é o gigantesco desafio. É a época da construção
das Paróquias, do grego Paroikos, que significa
“estrangeiro”, no sentido de ser um ponto de repouso espiritual, na
caminhada da vida. Mas, sob o ponto de vista da população, arraigada
a uma cultura pagã de mais de 5 mil anos, o trabalho pode ter sido
mais penoso e duro do que possamos imaginar. A reação à nova classe
sacerdotal que se impõem, gera conflitos com esses hábitos
milenares.
Mas havia também outras razões, pelas quais a Igreja
Católica tinha sérios motivos a temer, no caso de uma comemoração
festiva do nascimento de Cristo. Certas manifestações tradicionais e
não bem-vindas, se desenrolavam por toda a Europa, nas proximidades
do dia 25 de dezembro. Nem sempre em função direta do que o dia 25
de Dezembro passou a representar. Mas também pelo que ele
representava antes do nascimento de Cristo. Em Roma, entre os dias 17 e
24 de dezembro, costumava reinar uma grande desordem. Neste período,
os escravos mandavam seus senhores os servirem à mesa. Nos grandes
palácios, os soldados o decoravam com galhos de árvores e elegiam um
deles, o seu Rei. Na França e em outras regiões da Europa, durante a
Idade Média, celebrava-se a “Festa dos Tolos”. Ela se desenrolava no
dia 25 de Dezembro, ou na semana seguinte. Esta encenação
ridicularizava os Sacerdotes e os dignitários da Igreja. Os
participantes que usavam máscaras e vestiam roupas de Padres
percorriam as cidades representando uma sátira cruel da Igreja;
paródia da Missa, danças e cantos profanos, blasfêmias, etc. Esta
festa parece ter se extinguido por volta do século XV, ao fim da
Idade Média.
A Igreja Católica preferiu então destacar o Dia 25 de
Dezembro, com fatos relevantes ao cristianismo, como por
exemplo;
- No ano de
506, Clóvis I, Rei dos Francos, foi batizado no dia 25 de dezembro,
em Reims, na França. Tendo abraçado o cristianismo, seria de se
esperar que seu povo o seguisse. Assim a relevância do fato, no dia
25 de dezembro, elevou a data no sentido místico, por ter se tornado
um marco na História dos Francos e da Europa.
- Na Noite de
25 de Dezembro de 800, Carlos Magno (742-814), Rei dos Francos, é
coroado em Roma, perante o Papa Leão III, Imperador de todos os
Germânicos. Para melhor compreendermos a importância do fato, todos
os reis e imperadores franceses, até o Século XIX, incluindo
Napoleão Bonaparte, empunharam sua espada, no sentido de unidade. A
Europa passa a ficar fortemente unificada, política e
religiosamente.
- A consolidação se estende às
Ilhas Britânicas, quando o rei normando William, também conhecido
como “O Conquistador”, assume o trono da Inglaterra, no dia 25 de
dezembro de 1066.
Outros fatos menos relevantes, mas
igualmente importantes, passam a construir uma áurea em torno da
data. Ela se tornaria madura um pouca mais tarde, com a expulsão dos
últimos hereges da Europa. Os Muçulmanos que haviam chegado até
Poitiers, no coração da França em 900, são expulsos da Espanha em
1492. Neste mesmo ano Cristóvão Colombo alcança as Antilhas,
chegando a São Domingos em 25 de Dezembro. E, os portugueses
desembarcam no Brasil a caminho das Índias, na Páscoa de 1500. Portugal percorre o mundo, com o
estandarte da Cruz de Malta em uma das mãos, e a espada na outra.
“Por Jesus, por Maria e por José”.
Tendo se
imposto em todos os continentes, começa o momento de estabilização e
de festividade.
Todos que pesquisaram a Missa de
Natal, como a conhecemos atualmente, concordam que a celebração
começou na Alsácia, região fronteiriça da França com a Alemanha, no
século XVI. Atualmente a cidade de Strasbourg, capital da
Alsácia, é o berço da Comunidade Européia das Nações, e por isso
cedia o Parlamento Europeu. O debate hoje, entre os estudiosos, fica
em torno de quem celebrou a primeira Missa de Natal. Católicos ou
Luteranos?
Com o passar do tempo, a crença na data, se tornou
realidade. Foi necessário então, oficializar liturgicamente a Missa
de Natal. Desta organização surgiram, quatro missas de acordo com as
Leis Canônicas; a da Vigília Noturna, a da Meia-Noite, a da Aurora e
a da Manhã do Dia 25 de Dezembro. No impedimento de se realizar as
quatro Missas, seria celebrada penas a Missa da Meia-Noite, a “Missa
do Galo”. Creio que será extremamente extenuante e difícil, o
exercício mental de querer compreender a razão de tantas Missas. A
Bíblia não faz nenhuma menção a uma determinada Missa, ou mesmo à
Missa do Galo. Em relação a este animal, apenas menciona a negação
de Pedro, antes do terceiro canto de um outro galo (Mateus 26,34). O
galo tem em seus sentidos, o privilégio de perceber dentre todos os
seres vivos do reino animal, que o dia, em breve, vai raiar. Por
isso também, ganha os telhados, junto com a Rosa dos Ventos,
apontando o caminho. Que um novo começo surgirá em breve, para todos
os que desejarem participar da nova Aurora. O despertar para a vida.
Sempre renovada. Revivida!
A religiosidade dos povos
ibéricos, que tiveram de lutar durante séculos contra o domínio
muçulmano, criou no imaginário popular, a "Missa do Galo". Nas
aldeias portuguesas é comum o povo levar galos para a Missa da
meia-noite de 24 para 25 de dezembro.
Leia a “Missa do Galo” de Machado
de Assis.
http://www.estacio.br/rededeletras/numero9/minha_patria/missa_galo.asp
Fatos,
Curiosidade e Superstições Natalinas
-
"Eu
honrarei o Natal de todo o meu coração, e tentarei faze-lo vivo
durante todo o ano". Charles Dickens (romancista inglês,
1812-1870), autor de "Contos de Natal" (1843), "David Copperfield"
(1849), etc.
-
"Eu
ouvi os sinos de Natal, Os velhos e familiares corais
cantando, E as doces palavras repetindo, Paz na Terra, para
os homens de Boa Vontade!" Henry Wadsworth Longfellow
(poeta norte-americano, 1807-1882), autor dos poemas "Evangélicos"
(1847).
-
"Quem
não encontrar Cristo no Coração, não vai acha-lo debaixo de uma
árvore" Dito Luterano
-
"No
dia de Natal, até os animais podem falar." Testar esta frase
pode trazer má sorte! Dito Popular
-
"Crianças que nascem no dia de Natal, tem uma
sorte especial." Charles Chaplin, nasceu em 25 de dezembro
de 1889.
-
Na
Irlanda acreditam que os portões do céu se abrem à meia-noite do
dia da Natal. Aqueles que morrem nesse dia vão direto para o
céu. Humprey Bogart, ator de "Casablanca", faleceu nesta data
em 1957.
-
Na Grécia
costumam queimar os sapatos velhos na noite de Natal, para que
eles não tragam azar no Ano Novo.
-
Em
Devonshire, na Inglaterra, as garotas dão um tapinha na porta do
galinheiro na noite de Natal. Se o galo cantar, é sinal de que ela
se casará em breve.
-
"Uma
ventania na noite de Natal, é sinal de Boa Sorte!"
-
Dentre
todos os gêneros musicais, o recordista de vendas de discos em
todo o mundo, até hoje, com mais de 30 milhões de cópias, foi o
cantor norte-americano Bing Crosby, com a música White
Christmas (Natal Branco).
Em 25 de dezembro
de 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, os soldados alemães
saíram de suas trincheiras cantando músicas natalinas. Os aliados de
início pensaram que era um truque, mas logo depois, também saíram de
suas trincheiras para confraternizar. Trocaram cigarros, latas de
ração de comida e até mesmo organizaram partidas de futebol
...

Fundo musical - White Chrismas (Natal
Branco), na interpretação de Bing Crosby.
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