O Dia dos Namorados
Pelo Historiador Prof: Moacyr Mallemont Rebello Filho

(In Memoriam)

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Ishtar

 

     Todas as sociedades, antigas e modernas, estabeleceram padrões inspiracionais de beleza e fertilidade, que estimulassem o amor físico ou espiritual. Ishtar na Mesopotâmia, Anath em Canaã, Anahita na Pérsia, Hannahanna, no Império Hitita, Isis no Egito, Inanna na Suméria, Maria, na Civilização Ocidental Cristã, Iemanjá da África, etc.

Vênus de Milo, no Museu do Louvre em Paris.

 

     Na Grécia antiga, Afrodite, filha de Zeus, nascida pura do mar, era cultuada como a Deusa da Beleza, do Amor e da Fertilidade. Nelas, as proporções estão representadas como padrões para a arte clássica. Sua estátua feita de mármore branco, entre 120 e 130 AC, com 2,02 metros de altura, foi descoberta no mar, na Ilha de Melos, em 1820. Atualmente está exposta no Museu do Louvre, em Paris, sob a denominação de “Vênus de Milo”, como era conhecida em Roma. Seu filho “Eros”, o arqueiro do amor, casado com “Psique”, se encarregava de buscar parceiros, atirando flechas invisíveis ou de ouro, entre os casais, passou a se chamar “Cupido” entre os romanos.

     Os gregos tiveram a primazia de estabelecer padrões geométricos para a beleza, na escultura e na pintura. A altura do corpo representado, não poderia ultrapassar sete alturas de cabeça e a distância do umbigo até a cabeça, deveria ter a “Proporção Divina”, representada pelo “Número de Ouro”, ou 0,618034 da altura total do corpo, etc. Estas informações só começaram a ficar disponíveis na Renascença, que buscava recuperar os padrões da beleza clássica helênica.

     Há uma diferença fundamental na representação entre os gregos e os romanos. Os gregos buscam estabelecer padrões divinos, que podiam estar ligados à mitologia grega. Enquanto que os romanos tratavam de representar padrões realísticos de imperadores, magistrados e generais, apesar de terem copiado a deidade grega, trocando apenas os nomes. 

     Condições de higiene e os parcos conhecimentos médicos disponíveis na antiguidade, podem ser traduzidos, pela altíssima taxa de mortalidade infantil. Era muito importante para a sobrevivência do núcleo familiar, a existência de muitos filhos, de preferência do sexo masculino,  para a produção agrícola. As famílias e mais especificamente as mulheres que tinham poucos filhos ou nenhum, se consideravam amaldiçoadas ou sob alguma espécie de maldição. Isto estimulava os ritos religiosos ou místicos. Na Grécia, principalmente em Esparta, logo após o parto, o filho era apresentado ao pai que decidia o seu destino. aleijados, pequenos ou se a família tinha excesso de mulheres, fazia com que o pai lançasse o recém-nascido para a morte, de algum lugar alto.

Rômulo e Remo e a mãe loba.

     Na Roma antiga, havia uma gruta sagrada onde, segundo a lenda da fundação da cidade, os gêmeos Rômulo e Remo haviam sido criados por uma loba. Este lugar era chamado de “Lupercal”, de “Lupus” (Lobo, em latim) e a celebração era a “Lupercalia”, que passou a ser celebrada todos os anos no dia 15 de fevereiro, com sacrifício de pequenos animais. Os sacerdotes rasgavam tiras da pele ensangüentada do animal, e corriam por entre a multidão tocando as pessoas com essas tiras, para curar a esterilidade delas.      Assim as “Lupercalias”, quase no início da primavera européia passaram a associar amor e sexo. Não podemos nos esquecer também que estas festas dariam origem no futuro, aos festejos pagãos, do “Carnevalli” (Festa da Carne).

São Valentim

 

     Em 494, a Igreja Católica proibiu esta celebração pagã do festival “Lupercaliano”, e estabeleceu o dia 14 de fevereiro, como dia de São Valentim, que viria a ser o “Protetor dos Namorados”, e da fertilidade. Na realidade existiram vários santos com o mesmo nome, cuja data de falecimento estava coincidentemente ao dia 15 de fevereiro. São Valentim passou então, dentro da Cultura Ocidental Cristã, a ser considerado o santo casamenteiro em todos os países, menos no Brasil.

     O conceito de amor entre os gregos e os romanos estava mais enfocado na produção agrícola familiar. Na Grécia Antiga, cabia à mulher apenas a guarda da casa e a educação dos filhos. Mas não havia um consenso. A cidade-estado de Esparta tinha um padrão socialista, onde os filhos, por volta dos 7 ou 8 anos de idade eram entregues à guarda do Estado. Já a mulher ateniense tinha um pouco mais de liberdade. Roma que utilizou com freqüência preceptores gregos, não ficava muito distante dos padrões helênicos.

Sepultura de Pierre Abélard e Hélöise no Cemitério Père Lachaise.

 

     Com o fim dos tempos antigos e o início do Período Medieval, o amor mudou de contexto. O amor passou a ser espiritual, centrado na Virgem Maria, até a bela história de Pedro Abelardo e Heloisa na França, que supera em intensidade ao Shakesperiano “Romeu e Julieta”, pois foi verdadeira. O Padre Pierre Abélard, nascido em 1079, e que era filósofo e teólogo, ensinava na Catedral-Escola de Santa Genoveva, quando conheceu Hélöise, sobrinha do Bispo Fulbert, que fora estudar em Paris. Pierre e Hélöise viveram um grande amor, e tiveram um filho. Como resultado ela foi enclausurada num mosteiro, e ele enviado para uma Abadia distante. Ficaram famosas as cartas de amor de um para o outro. A sepultura de Abélard e Hélöise, ao lado de Rousseau, Victor Hugo e outros nomes importantes da França, é ainda hoje, a mais visitada do mais importante cemitério de Paris, o Père Lachaise. A história reproduzida em diversos livros, virou peça de teatro, filme e recentemente uma ópera em 3 atos.

Santo Antônio

     Pouco tempo depois, em 1195, nascia em Lisboa, o futuro santo casamenteiro do Brasil. Patrono do Brasil, de Portugal e das “Mulheres Grávidas”. Por isso, e de maneira semelhante a São Valentim, o dia anterior a sua morte, foi designado como “Dia dos Namorados”. Frei Antônio, que nunca esteve no Brasil, pregou e ensinou teologia em Portugal, França e Itália, tendo falecido em 13 de junho de 1231, sendo santificado no ano seguinte, num dos mais rápidos processos canônicos da história da igreja católica. Em 16 de janeiro de 1946, foi elevado à categoria de Doutor da Igreja, ao lado de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. 

     Isto é a história, mas no dia 12 de junho, o “Dia dos Namorados”, não há quem não resista, homens e mulheres, a mensagens de afeto, flores, bombons e carinhos.

 

Fundo musical - Chopin Nocturno Piano No9.

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Efigenia Coutinho (Mallemont)
Presidente Fundadora
AVSPE