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A palavra "Ceia" vem do latim
"caena", que significa "refeição à noite". No entanto, há uma forte
conotação religiosa no uso dessa palavra, que lembra "A última Ceia"
de Jesus com os Apóstolos. Nesse
sentido, supera a idéia de uma simples
refeição. Milhares de anos antes
de Cristo, os Celtas, na Europa, comemoravam com grandes refeições
coletivas, as épocas mais importantes de seu calendário lunar. Os
mais fartos, eram sem sombra de dúvidas, os do final do ano, onde
agradeciam a fartura da colheita. Hábitos e cerimoniais com a
alimentação, levaram séculos para serem aceitos e estabelecidos, em
cada tipo de civilização. Por
falta de fontes escritas e até mesmo confiáveis, as notícias dos
hábitos à mesa, só são melhores conhecidos, após o século XV. Nessa
época, como no passado, o povo em sua enorme maioria, morava em
casas de um único cômodo, que servia para todas as finalidades da
família e da criação. E, no inverno, ainda compartilhava este espaço
com os ruminantes, que também precisavam
sobreviver. Havia uma lareira que servia
para cozinhar e esquentar o ambiente à noite. Uma panela de ferro no
fogo, sobre a mesa uma tigela, um arremedo de colher, e a faca de
múltiplas serventias. Todos se serviam com a mesma colher e faca. E,
por vezes, com os mesmos dedos sujos, da mesma mão materna. A
fartura não era uma companheira usual. Até o século XVI, não havia
garfos. Uma princesa italiana levou a novidade turca que servia para
ajudar a cortar a carne, para os salões de Versailles, quando tinha
somente dois "dentes". Bravo! Não seria mais necessário cortar-se a
carne com uma das mãos, enquanto a outra evitava que escapulisse
pela mesa, em direção ao chão. Mas
o que é que o povo comia? Pouco e muito mal! E, ainda tinha que
dividir com o dono da terra, uma parte do que colhia. Caçar era
privativo apenas dos nobres. Uma fatia de carne, era às vezes
lembrada por mais que um semestre. E, o que se comia, era o que se
plantava em torno da propriedade, além do leite, queijo e ovos. E, o
vinho... Foi preciso haver portanto, um
excesso de produção para poderem apreciar e comemorar, sem a
necessidade de primeiro saciar a fome. Um longo, tanto no tempo
quanto no espaço, e desigual processo que se estendeu por toda a
Europa. "A Última Ceia", só existia nos vitrais das Igrejas e
Catedrais. Em Portugal, país
voltado para o mar, criou-se o hábito, como seria natural, de se
comemorar a Ceia do Natal, tendo com base pratos à base do bacalhau
e outros frutos do mar, rabanadas e filhós. Era, o que a terra e o
mar, proporcionavam. Foi essa herança alimentar que recebemos. E, no
Brasil, os primeiros colonos procuraram adaptar as tradições
culturais, à realidade de nossa agricultura e fauna. Não tinha
bacalhau, que prefere águas geladas às mornas, dos mares tropicais.
Trigo e Azeite, nem falar. Na carta a El-Rey D. Manoel, Pero Vaz de
Caminha relata o espanto da primeira visão dos habitantes de nosso
solo, os Patajós, ao se depararem com uma galinha. Espanto e
medo. A Missa Natalina que surge na
Alsácia, no século XVI, sugere uma reflexão sobre Jesus, em torno da
mesa. Começam a se delinear os primeiros contornos da "Ceia de
Natal". Reflexão e agradecimento.
No norte, os Peregrinos do navio "Mayflower", trazem em suas
bagagens, a cultura anglo-saxônica dos antigos Celtas. Em 1621, é
celebrado pela primeira vez o "Dia de Ação de Graças"
(Thanksgiven Day). Até 1941, vamos conhecer quase uma dúzia
de referências, razões e datas, quando finalmente o Congresso
Norte-Americano decreta sua comemoração na 4a quinta- feira de
Novembro, recheado de perus, nozes e amêndoas, próprios para a
estação fria, no Hemisfério Norte. A americanofilia que varre o
planeta Terra decretou, que todas as nações, em todos os
Continentes, tem que comer a mesma coisa. Imprópria para o nosso
clima, e época do ano, só faz engordar o bolso dos
comerciantes. Imaginemos, que
Cristo, que está dentro de cada um de nós, tivesse ocasionalmente se
revelado ao mundo na Austrália.
Estaríamos todos comendo lagartas, o alimento mais nutritivo em
proteínas, dos aborígines daquelas inóspitas
bandas. O "Dia de Ação de Graças"
norte-americano, já tem em si uma tradução deturpada do
"Thanksgiven Day", é quase uma repetição do penúltimo
festival Celta. Seguindo a tradição, vem logo depois o
"Halloween", onde bruxas e duendes saem da floresta,
distribuindo "travessuras ou gostosuras" no último dia de
Novembro. O extenso, rico e piscoso
litoral brasileiro, tem condição de proporcionar através do milagre
da multiplicação dos peixes, a redenção alimentar de nosso belo
país. "Picis" continua sendo o símbolo do cristianismo, apesar de na
virada do milênio, termos mergulhado no signo de
"Aquarius".
Receitas
Portuguesas
RABANADA
As rabanadas se originam de um prato francês chamado
Pain Perdu (Pão Perdido).

Ingredientes: 1 pão de véspera 3
dl de leite 4 ovos 300g de açúcar canela casca de 1
limão óleo.
Preparação: - Junte o leite com 2
colheres de sopa de açúcar e a casca do limão - Eleve a ferver. À
parte, bata os ovos. - Corte o pão em fatias e passe
primeiro no leite, depois nos ovos, e frite no óleo bem quente.
Escorra num papel absorvente, e passe depois num prato com uma
mistura de açúcar e canela.
FILHÓS

Ingredientes: 1kg de farinha de
trigo 500g de abóbora 2 laranjas 1 cálice de
aguardente 15g de fermento de
padeiro sal óleo açúcar canela
Preparação: - Desfaça o fermento de
padeiro num pouco de água morna com sal, e junte à farinha
previamente peneirada. - Junte também a abóbora cozida e em purê
e o sumo da laranja.
- Amasse muito bem e junte a aguardente. - Envolva o
recipiente da massa num pano e deixe descansar num local temperado,
até que dobre o seu volume. Com os dedos molhados em água fria
retire bocadinhos de massa e estique, para obter filhós muito finos.
Aqueça bem o óleo e vá fritando as filhós até alourarem. Passe-as
depois por açúcar e canela.

Fundo musical - Natal
Brasileiro.
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