
COIMBRA SEMPRE MENINA
Zé Albano
Sou estudante praxado
Ficando de mente sã
Passei a andar bem trajado
Na academia coimbrã
Como Menano e Luís Góes
Vivo a sua canção nata
Tantas noites como os dois
Entrei numa serenata
Inspirado em Inês
Ou nas águas do Mondego
Para ti cantei tanta vez
Alterando-te o sossego
Coimbra sempre menina
É a musa deste meu fado
Na sua toada divina
O coração fica encantado
Quando chegar a doutor
Vou manter a mesma voz
Cultivando este amor
Que apareceu entre nós

ABRI O LIVRO
Zé Albano
Estou gasto e quase mudo
A isto cheguei, não sei como...
Certamente já não mudo
Com o pouco que tenho não como.
Com aperitivos à farta
Acelera-se o meu desejo,
Barriga que não come, estar farta
A ninguém eu o desejo.
Falam do tempo vivido
Com a idade tudo se forma,
Ora se eu era um rapaz vivido
Como é que eu perdi a forma.
Criado no tempo apertado
Onde havia vontade à larga,
Hoje o que está apertado
Da minha parte já não alarga.
Mas de que vale o meu chorar
Ou a isto eu dar voz,
Por mais que eu veja chorar
A crise chega a todos vós.

AMBIÇÃO QUE ME INVADE
ZÉ ALBANO
Por aqui! Em redor da cidade mais alta
Vivo afrontado sentindo a tua falta
Junto de mim cheiinho de carência
Da tua formosura com excelência...
O teu odor vai-me levando à capital
Para onde corro na forma mais sensual
A prestar-te a mais franca cortesia
Na voz da minha mais sublime poesia.
Venceremos as mais entranhadas barreiras
Rotuladas que são de boas maneiras
Por quem não dá o devido apreço ao amor.
Mas procurando junto de ti o calor
Ambos iremos repartir a felicidade
Dentro da grande ambição que me invade.
Novembro de 2008

SER POETA
Zé Albano
Ser poeta...!
É fazer de um sonho
O mundo mais risonho
Ser poeta...!
É partilhar com alguém
A virtude e o bem
Ser poeta...!
É colher amor
Na seara da dor
Ser poeta...!
É fazer no futuro
O Homem mais puro
Ser poeta...!
É usar a prudência
Contra a indecência
Ser poeta...!
É lutar pelo seu povo
Livrando-o do estorvo
Outubro de 2009

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