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Desconhecido
Vânia Moreira Diniz

Vontade de andar por caminhos diversos,
Sem pisar a terra e sentir o solo endurecido,
Não ter noção dos passos abstratos e confusos,
Experimentar a distância e vôos desconhecidos.

E nessa viagem procurar meu próprio destino,
Nos meandros do inconsciente turbulento,
Ter a noção de elementos transformados,
Ver, sentir, amar e prosseguir em descompasso.

Contemplar o universo em movimento,
Penetrar razões que escapam ao entendimento,
Sem angústias nem emoções do momento,
E sobrevoar lentamente, tudo desconhecendo.

Esse é o insistente e inexplicável desejo,
Para isso mil pensamentos como ensejo,
Que de longe inexplicavelmente vejo.




Voando
Vânia Moreira Diniz

Voando pelos céus muito azuis,
Em espaços poéticos e inspiradores,
Asas de poesia pelos caminhos,
a transcrever sentimentos e cores.

O caminho fascinante a se iluminar,
Centelhas de matizes no arco-íris,
Sensações entrecortadas sem parar,
E o “voar” da imaginação conturbada.

Asas a reescrever o nome do universo,
De mil formas, tonalidades e maneiras,
No ritmo harmonioso e encantador
Das palavras traduzidas céleres
A espalhar pelo caminho ternura. 

Revoada de poetas a entender,
A linguagem muda do vôo ilimitado,
Trazendo na imaginação a palavra
E sentindo a doce carícia das asas.




Meu grito


Meu grito é de amor,
Meu grito é de dor,
Meu grito é de compreensão
E ecoa dentro do coração.

Meu grito transborda minha alma,
Ultrapassa os momentos de certeza,
Meu grito vibra, tremula e alucina,
Para depois erguer-se na confiança.
Meu grito pede, exige e implora.

Meu grito ultrapassou os anos,
Questionou os momentos de insegurança,
Viveu em meio às dores e vacilações,
Meu grito refletiu ansiedades da incerteza.
E espargiu frenesi e alucinações.

Meu grito sofreu nas aflições alheias,
Dilacerando minhas entranhas e
Procurando uma trégua em seus sons
Pedindo-me singularmente calma,
Meu grito é de profundidade e agonia.

Meu grito é de amor,
Meu grito é de desejo,
Meu grito quer apenas compor,
Meu canto de liberdade e esplendor.
Meu grito é de solidariedade e calor. 

Meu grito se mistura a sons intensos,
Que pedem suavidade e inclusão,
Simbolizam tristemente opressão
E se esvaem pelos confins do mundo




Só Reminiscências
Vânia Moreira Diniz 

A estrada era longa e escura,
Tão escura que me perdia no olhar
Quando eu cismava entristecida
E me encontrava dançando com a vida.

A luz que iluminou o dia,
Disfarçada em sensações obscuras,
Decorou de feitiço minha alma,
E nem mesmo assim a claridade eu via.

Desfilavam em bando as reminiscências,
Doces ou tristes, mas nunca amargas,
Com o mel de compreensão e doçura
Que por um momento eu absorvia.

Tudo um sonho que me enternecia,
Nas noites deleitosas e perdidas
Em crepusculares ânsias,
Que fascinada e confusa eu compreendia

Tudo passou, ficou apenas a esperança,
Suaves toques de uma mão vazia,
Transmitidas em vibrátil expectativa
E que nunca mais me deixou atormentada



Pietra
Vânia Moreira Diniz para minha primeira bisneta : Emoção

Pietra nasceu nessa primavera,
Com a claridade harmoniosa do dia
Trazendo doçuras e ternas alegrias
Eu nem sabia se chorava ou ria.

Frágil, linda, pequenina e delicada,
Mais parece uma encantadora boneca,
Aspirando oxigênio com bravura,
Pérolas rolando no limiar da vida.

Sinto o fascínio e amor em minha alma,
Em lágrimas preciso acariciá-la,
Dizer o quanto valeu sonhos e espera,
E inclinada em seu corpinho chorar.

Cláudia, Marina, Pietra, só desejo aspirar,
As reminiscências que me fazem recordar,
Momentos que jamais poderei entender
Quando nas curvas do caminho me envolver.

Minha alma se desfaz em transe calada
No amor em brasa como garra de ternura,
Procurando meu coração a confidenciar, 
A ventura que já nem sei extravasar. 

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  26.01.2012