DOCE ZANOLHA
Valdez
Passaram tantas, frente à minha porta:
Louras, morenas, gordas, magricelas...
Lindas mulheres! Outras... não tão belas,
Mas todas fêmeas, saias, é o que importa.
Tantas Marias... Santas, pecadoras...
Ah! que saudades da Zanolha tenho!
Seu gosto doce como mel de engenho;
Feia, baixinha, formas sedutoras.
Um sol denso, fugaz, uma aquarela
Que compus na memória, sobre tela.
São lembranças. Difícil esquecê-las:
A zanolha gemendo seus abrolhos...
Um dos olhos postado nos meus olhos,
E o outro vagueando nas estrelas...

BEIJO TRANSGRESSOR
Valdez
Minha boca tem desejo
Do teu beijo.
Musa... meu sonho tenaz,
E fugaz,
Flora na senda do amor
Transgressor...
Espero que dê guarida
Ao meu canto de louvor...
Quero teu beijo querida:
Beijo fugaz, transgressor!

T A R D E
Valdez
Em mim, morria a tarde e, a tardar, morria
A dor profunda que meu peito entranha.
E nesse ocaso, que o temor assanha,
Eu, vivo e morto, minha dor sentia.
Quantas tristezas a saudade amanha,
Rotundas bagas que dos olhos saltam;
Unidas, prestas, o temblar exaltam...
Gritando, tensas, nessa tarde estranha.
Mantissas cegas, teoremas d´alma,
Vão me quebrando, me roubando a calma;
Pensando em fugas, fugas assuntando.
A dor... na tarde que, a morrer, se tarda:
Promíscuas mágoas, no seu colo, guarda;
Intensas dores se me vão tardando!...

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