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Parâmetros
Sergio Augusto Severo Maranhão



Sei, não pertenço a nenhuma Escola
e não me prendo às regras rigorosas
Faço Sextetos: Versos de Viola
Armo Sonetos e componho Prosas.

Quero fazer, solene, o meu Protesto
contra essa Malta que me acusou
de dispersivo ser, que já não presto
para servir de exemplo, como estou!

Mas, sei fazer “Poemas Antissépticos” 
que exaltando valores assépticos, 
me indispõem com o Mal desta Loucura...

e nem me importarei ser antiético
se por acaso o leitor diabético,
com tanto “mel” se vá à sepultura! 


Sergio Augusto Severo Maranhão/2012




“Ngana tu judale!
Se iximbi se ituta,
Ize bukanga twitambulule”.*
Siladnil (Dedicado à Elisabeth Souza Cruz)


E ela chega...
com seus badulaques 
seus brincos, pulseiras
seus muitos anéis 
e a gargantilha. 

U’a pálida Oxum
não menos formosa
Caçando Cometas,
e Pescando Trovas.

U’a Branca Guerreira
“com um pé na cozinha”
embalando sonhos
em doces compotas.

Será que é Quiximbi?
Será que é Quituta?
Será que o Quimbanda
que invoca Sereias,
“limpou os Caminhos”
e “abriu o Terreiro”? 

U’a pálida Oxum
não menos formosa
A Branca Guerreira,
Oxum Quituteira,
adoçando Trovas. 


Sergio Augusto Severo/2012




Circus - Para a minha Filha Anamaria Augusta


O Circo chegou! “Teatro da Lua”!
Puseram o Palhaço no meio da Rua.
O Circo chegou! É grande a arrelia! 
Pelo megafone o ”Clown” anuncia.

O Circo chegou! Suspendam as Lonas
Lá vem o Palhaço com as pantalonas!
O Circo chegou! Olhe os suspensórios:
Palhaço “Dodô”, com seus repertórios!

O Circo chegou! E o “Zé Bilheteiro”,
convida à função, lá no Picadeiro.
O Circo chegou! Já rufam os Tambores!
...E o mundo acordou, na “Villa das Flores”.

Sergio Augusto Severo Maranhão/2012 




BUSCA


Voltei!
Voltei em busca do tempo perdido
da minha Infância comportada
da minha louca Juventude

Voltei de longe
de muito longe
Vim em busca das minhas raízes.
Raízes? Qual o quê!

Do Palacete da Avenida Junqueira Ayres
com Eira e com Beira, e com vitraux franceses
nem as mangueiras escaparam à sanha imobiliária:
Tudo virou um horroroso estacionamento de automóveis!

A Grande Casa da Rua São Thomé, esquina com a Travessa PAX , 
e que meu avô e xará, Sergio Severo, construiu, 
logo após a Guerra, sobrevive suja e Decadente!

A Casa dos meus Pais , juntamente com a Casa de Tia Bertha,
transformaram-se em um pequeno prédio de arquitetura duvidosa.

Roubaram (Pela enésima vez) 
as Placas Comemorativas apostas ao pedestal 
da Estátua de Augusto Severo ( “O Pioneiro ”), 
na Praça do mesmo Nome.

Descaracterizaram o meu Cais Tavares de Lira 
( Onde eu pegava os barcos à vela para a Redinha.).

Fecharam o “Bar do Teco-Teco”, Fecharam o Aero Clube,
Fecharam “Maria Boa”... Imaginem!
...Fecharam até a subida do “Morro do Careca”.
... Em busca das Minhas Raízes? BAGH!!


Sergio Augusto Severo Maranhão/2011




À Paulicéia


Ah! Fosse eu Veloso, o Caetano
para cantar num Verso Desvairado
as tuas ruas cheias de Pecado
Chorar a dor de ser um paulistano...

Cantar tuas guardadas tradições,
me admirar com tanto arranha-céu
e caminhar pelo passeio, ao Léo,
chutando o lixo dos teus Calçadões.

Como não sou Cantor, sou Vagabundo,
enxugo o rosto com este lenço imundo
com o qual limpei a mesa deste bar...

Meus parabéns, São Paulo e obrigado
por me deixar, já quase embriagado,
compor tais versos que não sei Cantar.



Sergio Augusto Severo Maranhão /25 de Janeiro de 2012

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  02.02.2012