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Caminha comigo...
Sandra M. Julio


Caminha comigo...
Mostra-me os poentes que perdi na espera,
Os sonhos e a quimera.

Caminha comigo...
Minhas lágrimas apagaram estrelas,
E... Fico perdida, se não consigo vê-las.

Caminha comigo...
Mostra-me o singrar da esperança
Esculpindo no silêncio, bonança.

Caminha comigo...
Pelas profundezas entorpecidas,
Cofia os cabelos da minh’alma entristecida.

Caminha comigo...
Pela obstinada austeridade das horas
Em que a solidão, dardeja demoras.

Caminha comigo...
Desfaz o mutismo engastado na loucura,
Desperta palavras, mantém a estrutura.

Caminha comigo...
Pela insânia que rege minha razão,
Apresentando evidências ao sofrido coração.

Caminha comigo...
Transpõe as tangíveis ondas da eternidade,
E na preamar do tempo, me traz felicidade.

Caminha comigo...
Neste instante em que a dor suspira palavras
Reclusas no peito, e o pranto n’alma lavra.

Caminha comigo...
Fulgura minha estrada resplandecendo sonhos,
Consertando engendrados descaminhos.

Caminha comigo...
Pelos ventos do grande sol... Depois voraz,
Desperta-me para o cósmico arco-íris da paz.


11/01/07




Colhe meus beijos...
Sandra M. Julio


Colhe meus beijos...
Destranca as sombrias portas da minh’alma,
Liquefaz pesadelos da ausência
Derramando pela escuridão da noite
Estrelas de carinho.
Seca as lágrimas que sussurram teu nome,
Bebe delas o meu amor... Depois
Coloca em meus lábios, o teu.
Responde as perguntas que não fiz
Apascentado a desordem dos desejos.
Rouba dos poentes meu olhar
Devolvendo a penumbra do teu rosto
Que, insone brinca madrugadas.

Ouve minhas letras, quando baixinho
Murmuram secretos sonhos.
Ouve as palavras do meu silêncio, quando baixinho
Chamam-te, em minha saudade.
Ouve a inutilidade dos dias quando baixinho,
Em minhas mãos, calam a falta das tuas.
Ouve o afagar dos meus poemas, quando baixinho
Pronunciam-me eternamente tua.
Ouve o florescer de cada beijo, quando ainda baixinho,
Segredam que existem apenas, para perfumar os teus.


06/07/07




Lábios da saudade...
Sandra M. Julio


Segui o rumo dos sonhos...
Adentrei imaginados castelos, construídos de ilusões...
Esqueci a realidade no cotidiano das horas e,
Embriagada pelo perfume da poesia
Caminhei colhendo do mar, sussurros
Perdidos entre sorrisos e horizontes.
Vesti os beijos da saudade, habitantes da minh'alma.
Assim a nudez de todos os encantamentos, se fez música...
Alinhada ao ritmo do teu coração,
Oceanos destrancaram a noite e, sem badaladas
Qual borralheira, dançamos todos os sons
Que noss’alma em pautas colocava.
Passos viandantes seguiam o palmilhar da alegria,
Desencontrados das bússolas do tempo.
Entre o veludo da madrugada e o silêncio das palavras,
Mais uma vez, beijei teus lábios...

Sem sapatos de cristal, despertei...
Para ainda mais uma vez, nos lábios da saudade
Beijar os teus.


05/07/07




Ilusão...
Sandra M. Julio


Em horizontes, vejo o monótono refletir de sonhos...
Como cristal transparente tragando lágrimas
Esquecidas nas entranhas de um fatigado silêncio
Crepitante, nesta eterna saudade.

Luas adormecem na simbologia das horas...
Entre vagas de solidão e arpejos de abandono
Encontro-me num esboço de esperança,
Desatando as algemas da descrença.

Assim, como grãos ressurgindo no equinócio de primavera
Maculando a letargia do tempo,
Simulacros d’uma antiga fantasia
Entorpecem versos, numa transcendente quimera.

Exaurida, abdico e adormeço a realidade...
Encarcero minh’alma em grutas de redenção.
Compactuo com o impossível...
Entregando-me à sempre generosa ilusão.


17/01/07




Sutil murmúrio do ciúme
Sandra M. Julio



Teus versos, noutras rimas...
Teus beijos, noutros lábios,
Teu olhar, noutros horizontes,
Teu sonho, noutro sonho...

Descalças fantasias, clandestinos desejos... 
Magoada, segue minh’alma, sepulcros vazios,
Sem pudor, despe o sol a alegria, para que lágrimas
Cicatrizem as marcas deste amor.

Fim de tarde, boceja a lua...
Num atropelar de dúvidas, adormece o dia.
Cala a noite, na insensatez dos pensamentos,
Reinventado a concretude da ilusão.

O sutil murmúrio do ciúme, espreita...
Quando a saudade abraça tua falta,
Insulado, coração tece esperança,
Em bizarros sonhos que, ainda são teus.


Sandra 
06/09/07

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  28.01.2012