O que és tu poeta?
Rosana Souza
O que és tu poeta,
senão o sopro fugaz do vento
que passa
soprando a melodia do silêncio
no universo que só tu conheces
concebendo o sonho em teu poético ventre,
devolvendo-o ao nascedouro de outros sonhos.
O que és tu poeta,
senão a corola de uma flor despetalada
que embala amores impossíveis
nas ondas do mar que tu mesmo desenhas,
apagando rochedos, rasgando velas,
afundando navios, afogando medos...
desvendando segredos e mistérios,
convertendo a ilusão e a fantasia
que sempre encontram seu próprio tempo
nos teus braços que amparam
a trilha sonora exata do momento
nas entre linhas da pauta de um existir...

Confiança
Rosana Souza
E no tempo certo, o tempo aberto
num sopro, o silêncio cortado expira.
O grito da matéria inerte
diante das flores estáticas
colhidas para o sorriso pálido
transfigurando a paz urgente.
E num breve momento sem graça
retalhos de esperança
são desfiados nas contas do apego
pelas mãos que seguram o medo
rogando piedade, empostando a fé
que escorre quente e inclemente
na chama ardente e pretenciosa
de iluminar o que já é.
Então, livre do envólucro a que pertenceu,
como pássaro à porta de seu cárcere,
a alma em apogeu
entrega ao ventre da mãe
a mortalha da vaidade.
Lançando-se por fim
num vôo livre e certeiro
como flecha na mão da arqueiro,
num alvo infinito segue a céu aberto,
no tempo certo,
levando em seu relicário
o que ficou do solitário coração
inspirando a lucidez da eternidade.

Flores de papel.
Rosana Souza
Que a paz seja plantada
nos quatro cantos da terra,
e a consciência implantada
pelo amor e não por guerra.
Que o amor seja tema principal
para enfim a Paz fazer morada,
que não se espere outro natal
para usar o amor como fachada.
Que a caridade aflore qual criança
com um sorriso estampado em teu rosto;
que teus braços sejam a esperança
do coração que só tem desgosto.
Que cada um faça a sua parte
pois somos todos um perante o céu
assim posso levar a minha arte
nas flores que te entrego no papel...
Rosana Souza

Nossa ventura
Amar perdidamente pode ser a maior ventura
na aventura de nos sonhos acreditar.
Pode ser fissura, neurose, até loucura,
a arte da imaginação e do sonhar.
Mas de tanto amor, que fazer do amor que tenho?
se são meus sonhos, o meu mundo particular ?
se todos os meus desejos eu desenho,
na ânsia de poder, quem sabe, te alcançar...
Entre o céu e o mar nosso segredo,
nas ondas no meu barco a flutuar.
Que naufrague em alto mar todo teu medo
e em mim repouse somente o teu sonhar.
Pois se meus sonhos forem os mesmos sonhos teus,
nosso amor por certo, o mar há de cruzar;
mas também, por certo só quem sabe é Deus
se ainda teremos esse tempo para amar...
Rosana Souza

Veredas
Nas veredas em que o medo te aprisiona,
te espera o mar com seus braços abertos.
Vagas ondas onde passeiam nossos versos
asas soltas onde o sonho te liberta.
Na esperança que carrega a tua nuvem,
preso à pedra todo amor enclausurado,
fica o meu coração ao teu aprisionado
buscando no vento, um sopro de coragem.
Nas flores cálidas à beira do caminho,
dormitam nossos anseios todos por viver.
Um sentir etéreo, onde querer não é poder.
Mas por que traçou- nos a vida este destino,
nas entre linhas um amor tão desencontrado,
esperando no tempo um momento abençoado...
Rosana Souza.

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