Ando sereno em paz
numa evolução possível
mas inacessível à guerra
coberta de sofrimento
Pela aragem da paz
correm ventos de luz
com o sorriso das crianças
com a esperança de um povo
As areias movem-se
com o vento da paz
com o chilrear das avezitas
com a ingenuidade de uma criança…
Sementes de Poesia Pedro Valdoy
Da semente nasce a poesia
para a eternidade
de uma paz estável
por prados verdejantes
São grãos de palavras
em sintonia
como a ingenuidade
de uma criança
É o aconchego das letras
feito pelo poeta
na imensidão
de um universo sequioso
Os sons misturam-se
com as metáforas
transformam-se
em imagens poéticas
Nesta atribulada nave
a poesia desenvolve-se
como o sossego de um rio
que corre por planícies
ao encontro do mar.
Entre o Som e a Melodia Pedro Valdoy
Há melodias que trespassam
o meu ser num apagar
de memórias
num choro em lágrimas
de verniz para um sofrimento
em paz com a música
transparente dentro do meu ser
Há notas suavizantes
para o meu ego
translúcido
numa secura dos tempos
que trespassam
meu corpo com a angústia
de uma era ingrata
para uma juventude
sem futuro
O grito sai de mim
num transparecer da melodia
agonizante
Na verdura de um jardim
no silêncio de uma criança
Mas a melódica
continuará numa esperança
em passos trespassados
duma agonia sonhada
e ultrapassada.
Criança Pedro Valdoy
O rosto de uma criança
olhos indecisos
Gotas de lágrimas
tristeza na face
Nariz ranhoso
boca esfregada
por farrapos de roupa
incolor suja
na indiferença de pingos
de chuva escorregadios
pela cara tristonha
Dedos ingénuos
na incerteza
na agrura dos tempos
difíceis de suportar
É o crescer da inocência
numa desumanidade
em franco progresso
no esquecimento do século.
Cânticos Pedro Valdoy
No céu as estrelas
cintilavam para a eternidade
de uma humanidade
recheada de paz
O Sol meio adormecido
aparecia no horizonte
com raios na ondulação
serena e tranquila
A Lua fugia para outras terras
a coberto da sonolência
na fragilidade do brilho
cumprir o adormecimento lento
Nos céus entoavam-se
cânticos com trombetas
enquanto Deus
sorria com a paz dos homens
Com seus braços
cobria o Universo
e com o livre arbítrio
abençoava o Homem
Na passividade dos séculos
crescera o Deus Menino
para dar a boa nova
na Terra da prosperidade.