Silêncios em dias de poucos poemas
odete ronchi baltazar
Porque meus silêncios
se estendem nesta manhã,
deixas de saber
que as palavras
brincam nos meus lábios
e que os dedos,
numa tentativa vã,
rabiscam
poemas que
cismo em escrever.
Nunca saberás
dos meus risos
(ou da minha dor)
porque neste dia
(ou em outros)
deixarei de te dizer.

Acendedora de estrelas
odete ronchi baltazar
Acendo luzes
todas as noites em meu pequeno céu.
Ilumino meu mundo,
meus lençóis e fronhas,
meus desejos e meus sonhos,
tiro do meu sono
todo o breu.
Enquanto brilham as estrelas
o medo se esconde,
fugidio,
entre as frestas deste chão.
Pingo distâncias e amores
em papeis translúcidos
que se desmancham
no côncavo da minha mão.

Balanço do tempo
odeteronchibaltazar
As fantasias da meninice
voaram no balanço
embaixo da goiabeira
e, ela, pequenina,
sequer pensava
que no correr dos dias
a realidade
ficaria na mesmice,
e que ela procuraria o céu de qualquer maneira
à procura de espaço
para desenhar os sonhos
que sempre foram maiores
que o seu abraço.
Não poderia imaginar
que,
crescendo,
teria os pés no chão
e que
perderia as asas...
mas nunca o desejo de voar
e de se desfazer dos laços.
A vida não dá caminhos alados,
apenas delineia,
no chão,
os traços.

Plenitudes
odeteronchibaltazar
Ela brincava de pássaro todos os dias:
asas plenas de voo,
pés suspensos,
prontos para abismos.
Luz da lua,
luz do sol,
pingos de estrelas...
Atendia ao chamado
de qualquer cantiga em dó.
Bebia fantasias,
rasgava o passado,
nada temia.
Por ser das noites e das manhãs,
viajava sempre só.
Tinha nas mãos,
sempre aladas,
sonhos de cristais e maresias.

Espanto
odete ronchi baltazar
O dia é feito de pequenos assombros
curtas palavras,
longas esperas.
E no andar das horas
toco as asas do tempo.
Minhas mãos vagarosas
desenham sonhos lentos,
nas brancas fronhas,
enquanto não chega a aurora.
Liberto as águas vertentes
sem saber das sendas
que se abrem
no meu medo sem fim
Tu não chegaste.
Por que a demora?

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