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O Varredor 
Nídia Vargas Potsch


Cansado da lida,
mais um dia ora findando,
lá vai o varredor
cumprindo seu dever.
Cata dejetos e lixo do chão
sentindo-se sem rosto na multidão. 
Serviço humilde, 
que quase ninguém repara nem quer.
O que importa o que pensam os outros?
Caminha... caminha... caminha...
A vontade férrea o faz ir em frente. 
Vai ao encontro do invisível!
Do sonho que o faz trilhar devagar,
onde os detalhes são a diferença:
-Capricho, Deus amou, fica pensativo!
Carrega o mundo nas costas. 
Suores escorrendo-lhe do rosto, 
pés esmigalhados em sandálias apertadas, 
rotas e mal remendadas,
nada disso importa...
O sonho, senhores, está sempre lá adiante,
depois da curva do caminho
que não acaba mais,
retido na aba 
do seu velho chapéu de couro...

@Mensageir@



Rótulos!
Nídia Vargas Potsch



De há muito, fora da moldura estou!

Não me enquadrei no que esperavam...
Saltei fora! Disse muita coisa que quis,
ouvi aquilo que não quis, fiz sim, tá acabado!

Sou guerreira dos quatro costados mas,
procuro não ferir ninguém e ainda assim,
luto até o último vintém.

Minha armadura é de aço forjado
têmpera de criatura teimosa.
Calço as luvas das desavenças porque
sou mediadora por instinto. Está no sangue...

Revejo, refaço, resmungo, reinvento, relato,
costuro, remendo, reorganizo, retrato.
Há que se saber perdoar e outrossim, ser perdoado...
Não há prazer em ditar regras ou se dizer vencedor!

Quando um lado perde, há inimigo declarado, 
e todos saímos perdedores...
Ostentação, vaidade, presunção,
devem ser lembradas para não tolher as negociações.

Mas o inesperado pode muito bem acontecer, 
fracassos ou vitórias estão igualmente posicionados.
Com chances iguais de acontecer.

Mas, estas vivências, estes experimentos,
são apenas mais algumas lições
como forma de aprender, 
apreender para saber como viver.

Ninguém sai ovacionado de um embate!
E o mediador, por mas flexível que seja,
em sintese, avalia e aponta 
quão frágeis são as molduras existentes...


@Mensageir@
Rio, 2012




Ontem, Hoje e Amanhã...
Nídia Vargas Potsch


Deixe de lado as amarguras,
não esconda as falsas querências,
suas dores, rancores ou ressentimentos.

Não jogue para baixo do tapete
que ao pisarem vai levantar poeira...
Há sempre luz ao final do túnel!

Como o colorido do arco-íris, mostre-se!
Abra-se para o novo,
tenha orgulho das vivências, 
das experiências trocadas.

É dos enfrentamentos aguerridos 
que acumulamos energia de vencedor.

Lembre-se que há um fato verdadeiro
representado pela constância 
existente no Universo: a mudança...

Jamais se esqueça:
O mundo dá inúmeras voltas e mais voltas!

Ontem, sofrimentos! 
Hoje, reflexões!
Amanhã, alegrias redobradas!


@Mensageir@
Rio, 2012





Contando os Dias...
Nídia Vargas Potsch


Lentamente, olho o entardecer...
As vidraças salpicadas de chuva
ainda mostram o final do dia.
Vidros embaçados lá fora,
olhar perdido aqui dentro...

O coração tenta de todas as maneiras
esquecer aquilo que não pode ter...
Mas o desejo é tão mais forte, que
o faz vibrar de emoções e contradições,
querendo atingir o impossível...

O que fazer a não ser esperar,
aguardar a concretização do sonho
há muito acalentado por este cansado coração...

Como maçãs num cesto de vime,
conto os dias, um a um,
difíceis de passar... porque se arrastam...

Se passassem mais depressa, talvez,
pudesse melhor suportar estas horas infindas
sem que estejas aqui comigo...

@Mensageir@
Rio, 2010




A Palavra... 
Nídia Vargas Potsch


Palavra! Furacão que nos sacoleja,
fogo que incendeia, rio que lava, perfume embriagador,
imensidão que faz crescer, duvidar, discernir 
e entender o mundo ao redor! 

"Nos possibilita criar
nossa existência no Ser..."

Somos a Morada da Palavra!
Que nos leva à percepção da realidade,
onde vivenciamos experiências 
das quais extraímos aprendizagem...

É através da linguagem
que o imaginário se eleva ao extremo
e torna-se magia poética.

O Poeta, seu veículo Máximo,
cria sensações, intenções,
numa representação que exprime
diferentes significados para cada um de nós...

A Poesia, leva a imaginação
à beira do precipício 
de uma alucinação de regozijo, admiração e beleza...

Com Palavras... aprendemos a Pensar...


@Mensageir@
Rio, 2011

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  28.01.2012