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 OLHEI A NOITE...
Naidaterra


Olhei a noite e vi 
que o céu estava bordado de estrelas... 
Marejou meus olhos e a saudade 
beliscou meu coração... 
Ah, Deus, livra-me desta prisão 
e vão tormento que faz arder meu peito, 
espinhos que não consigo combater... 
O tempo passou mas não levou a dor 
da minh'alma que chora sentida 
nesta noite estrelada onde outrora 
eu a contemplava junto com meu amor... 
As estrelas permanecem, 
a noite vai e volta, o tempo passa, 
eu passo, só não passa 
a saudade e esta triste solidão... 




CANTO TRISTE 
Naidaterra 


Fiz do meu jardim um santuário 
onde meu canto é solitário. 
Tenho somente por testemunhas, 
água, flores e muitas avezinhas... 

Saudades da minha inocência. 
Hoje, trago na minha aparência 
ondas tristes, marcas e feridas, 
mágoas pelas sombras recolhidas... 

Num desvão do tempo me feri, 
na imagem da aflição eu me perdi 
e no escuro do abismo eu caí... 

A morte se debruça sobre mim, 
simples, cruel este eterno fim 
que me açoita no meu solitário jardim... 




PRIMAVERA,
A TERRA DESPERTA

Naidaterra

A terra despede-se do inverno. 
Saudosa, saúda a luz que se aproxima 
encobrindo aos poucos as sombras frias... 
É a primavera chegando desejando 
os raios do Sol por mais tempo... 
Calor que na medida exata, 
aquece as plantas suprindo-as 
de vitalidade nos oferecendo amor... 
Há um brilho diferente nos meus olhos, 
é a imensa felicidade de ver e sentir 
a vida brotando da terra, flores de todos 
os tipos e cores, uma beleza que enaltece 
minh'alma, acalma meu coração e me prepara 
para viver grandes emoções... 
A estação da primavera nos propõe beleza, 
muito amor para doarmos e renovação... 
Já posso sentir a terra despertando, 
preparando-se para nos ofertar aromas, 
sonhos, cores mil e amores... 




AINDA NÃO...
Naidaterra

É noite, ouça como geme o vento 
É intensa a escuridão lá por fora! 
Ainda não, espera o despertar da aurora. 

Não vê, estou sozinha e triste, 
São as lágrimas minha companhia... 
Ainda não, é meu coração que insiste. 

Fica, quero amanhã poder sentir saudade... 
Espera! até que o Sol ilumine o teu caminho. 
Ainda não, fica e toma-me a mocidade. 

O tempo passa e o vento sacode os arvoredos, 
Trême meu corpo e meu coração tem pressa! 
Ainda não, fica e toca-me com teus dedos... 

Chega-te a mim! não me deixe nesta amargura 
Assumo os teus e os meus pecados! 
Ainda não, ceda... chega de tanta tortura... 

Só por esta noite, ninguém há de saber! 
Os anos matam e dizimam tanto e tanto... 
Ainda não, amanhã... então, começo a envelhecer... 




TRISTE VISÃO
Naidaterra

Na tênue névoa da noite, labaredas... 
Caminhei em sua direção, 
coração na mão... 
Altas chamas rubras se retorciam com 
com o movimento do vento. 
Em campo aberto, sofria 
minha cerejeira que 
crepitava, gemia e chorava 
uma chuva vermelha. 
Ví medo e dor em seus galhos... 
Senti medo e dor em meu coração... 
elei troncos negros, sem vida... 
Chorei, éramos tão pequeninas. 
Sonhei em partir primeiro 
depois voltar...te reencontrar 
no mesmo lugar e você me 
fazer lembrar... 




EIS O MEU LAMENTO... 
Naidaterra 


Ainda não consigo em versos, 
detalhar em nobres rimas, o teu sabor... 
Em sonhos, sempre estamos num verde 
prado vicejante, há água corrente e pássaros que 
cantam o amor que no peito sentimos... 
Ingrata é a distância que nos separa, 
névoa densa, tentatiavas de nos tocar 
se esvai e o tempo nos desperta... 
Eis o que sinto, dor de não têl-lo 
junto ao meu corpo que freme de desejo, 
é fogo que não apaga... só propaga... 
A tudo a idade afeia sem demora, 
embora, não envelhece meu coração 
que te espera, deseja ardentemente 
sentir teu sabor... prementemente... 

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  30.01.2012