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Amor virtual
Muriel Elisa Távora Niess Pokk


Eu não conseguia dormir,
Num chat eu entrei.
Queria conversar para distrair.
Foi desta forma que te achei.

Teu nick era escoteiro,
Resolvi, então, te chamar,
Mas, me chamaste primeiro,
Querias comigo falar.

Disseste-me: “sou bonito e charmoso”
E perguntaste se bonita eu era.
Pensei comigo: ele é mentiroso,
E respondi: “ Ser bonita, quem me dera!”

Pela câmera nos conhecemos,
Como disseste, eras bonito e elegante.
Em elogios nos perdemos.
Foi bom e gratificante.

Pessoalmente nos encontramos.
Cada momento foi inesquecível,
Dia após dia mais nos amamos,
Amor maior é impossível.

Agradeço ao deus virtual,
Por ter te conhecido.
E mais ainda ao Deus Real
Por fazer-te meu marido




As meninas da minha rua
Muriel Pokk

As meninas da minha rua
São pessoas de bem
Elas não ficam nuas
Não mexem com ninguém

Nos dias de sol e calor
Para realçar seus bronzeados
Usam bustiê de qualquer cor
Sobre os seios empinados

Shorts e saias justinhas
Calças coladas ao corpo
Jaquetas bem curtinhas
Não lhes tira o conforto

Todas têm rosto de menina
Pernas bem torneadas
O corpo na cintura se afina
São moças privilegiadas

Na esquina algumas ficam 
Outras perto do meu portão
Sob a árvore se abrigam
Fugindo do calorão

Uma moça com um saquinho
O lixo deixado pelas outras apanha 
Deixa limpo seu cantinho
Senta na guia... não se acanha

Todos os dias um livro na mão
Essa bela morena carrega 
De pé ou sentada no chão
À leitura ela se entrega

Esse fato de repente
Chamou-me atenção
Ela é tão diferente 
Das moças que ali estão.

Fui falar com ela meio sem jeito
Soube que estuda pra mudar sua sina
Ângela vai se formar em direito
E sua filha em medicina

Dizem que moças da rua são iguais
Nem todas são assim posso afirmar
Ângela buscando seus ideais...
Seu destino com certeza vai mudar



Adivinha o quanto eu te amo
Muriel E T N Pokk


Quando estás em pecado, 
Diz-me que precisas confessar,
Eu te digo que estás perdoado
Que não precisas mais chorar.

Mas quando afortunado estás, 
Não te lembras mais de mim,
Não és nem ao menos capaz
De dar-me uma flor do teu jardim. 

Não te lembras do perigo desviado,
Da saúde que eu te devolvi,
Do caminho certo novamente achado,
Dos problemas que para ti eu resolvi.

Tu me esqueces, meu filho,
Mas eu jamais te esquecerei,
Junto contigo a vida trilho...
Dos riscos sempre te protegerei.

Da tua ingratidão eu não reclamo,
Ajudar-te-ei sempre que preciso for.
Adivinha o quanto eu te amo,
Qual é o tamanho do meu amor.

Sabes quem sou eu?
Eu sou Jesus!
Aquele que por ti morreu
Pregado numa cruz.



BRINCADEIRA
Muriel E T N Pokk

Brincando tu disseste: 
“A tua casa eu irei,
me espera as oito em ponto,
que por lá eu passarei!"

Por brincadeira na janela, 
eu fiquei a te esperar,
e por brincadeira, imagina!
Tu vieste me buscar.

Eu desci por brincadeira, 
só pra ver no que ia dar.
Com o coração aos saltos, 
contigo fui me encontrar.

Encontrei-te finalmente, 
e por brincadeira fingindo, 
tu me fitavas ternamente, 
com teus lábios sorrindo.

E por incrível que pareça, 
ninguém vai acreditar, 
por brincadeira é certo, 
tu viestes me beijar.

Nós dois abraçadinhos, 
era brincadeira, porém. 
Dirigimos bem juntinhos, 
sem reparar em ninguém.

Deste passeio brincadeira
para casa nós voltamos, 
e talvez por asneira, 
outro encontro marcamos.

Um encontro que sabíamos
não ia se realizar.
Marcado por brincadeira, 
só para poder terminar.

Brincadeira, brincadeira, 
este jogo de ilusão, 
se tudo foi brincadeira, 
devolva meu coração.




AH! MOÇO, QUE SAUDADE
Muriel Elisa Távora Niess Pokk

Ah! Moço, que saudade

Do tempo em que cedinho,
Naquelas manhãs passadas,
Víamos aquele prado verdinho, 
E por ele corríamos de mãos dadas.

Ah! Moço, que saudade

Das nossas cachoeiras,
Onde nos refrescávamos do calor,
Ríamos, falávamos asneiras,
Nus, nadávamos sem pudor.

Ah! Moço, que saudade

Daquele jacarandá,
De flores lilases e lindas...
Quanta saudade me dá
Dos seus beijos de boas vindas

Das flores trançadas com carinho,
Coroa feita, para mim, sua princesa.
Depois, com altivez, devagarzinho
Sorrindo, coroava-me com realeza.

Lembra daquela jabuticabeira
Que nossa fome vinha matar.
Ela linda e matreira
Continua no mesmo lugar

Esta torturante saudade
Não quer mais me largar.
Sem pena, com maldade 
Meu peito vem machucar.


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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  28.01.2012