A LUZ DE TEU OLHAR
Mercília Rodrigues
Deixa na luz de teus olhos a esperança
para que eu nunca desista de mim
e possa reconhecer ainda a criança
a semear roseiras pelo jardim.
Dá-me a luz de teu olhar que em mim permeia,
para guiar-me pelos sonhos que aguardam,
com o iluminar de eterna candeia ,
clareando todos os segredos que tardam !
Sê meu farol em estradas perdidas,
Sê o milagre aceso de uma fogueira
a secar em mim as dores vencidas !
Deixa em teus olhos a luz da beleza
que afaga, acolhe lembranças queridas,
redescobrindo do amor a realeza !

A NOITE DORME
Mercília Rodrigues
O dia se despede, sol que declina ...
No horizonte rubro, tinto céu acena .
A noite nasce como bailarina,
envolta em aragens suaves, amenas .
Estrelas tremeluzem no infinito,
num silêncio profundo... morre o dia. !
Dorme a natureza entregue a seu rito,
desnuda-se a lua compondo harmonia .
Noite menina... devagar se mostra ,
buscando o esplendor da noite crescida ,
em seu mistério coloca sua aposta,
que em seu silêncio recomeça a vida !
Exuberante, em plena formosura ,
noite senhora dos amores tantos,
cúmplice de paixâo e muita loucura,
encobre amantes, jogando o seu manto !

Quem te espera ?
Mercília Rodrigues
Quem te espera, minha senhora,
Nos dias que não são teus ...
O passado foi-se embora
e sem se despedir nem disse adeus !
Quem te espera, linda mulher,
Neste tempo de agora ?
Quando o sonho vier,
Haverá alguém lá fora ?
Que vês no espelho da vida,
Nos retratos de outrora ?
Firmes sinais de despedidas,
Da saudade que se demo Mas há sol nascente a cada dia,
Há vento que vem do mar,
Há dos pássaros a arrelia,
Há amor em um olhar
É o sonho do hoje a te esperar !

ILUSÃO
Mercília Rodrigues
Tão evasiva qual bruma... uma paixão.
Aprofunda a insanidade dos crentes,
para eternizar o que só é aparente
e viver de braços com a ilusão .
Nada fica do efêmero sentido,
senão todos dissabores do engano
a dissipar cruelmente o amor querido,
O sonho vive no coração do homem,
Enquanto cedo ainda, imaturo e jovem
Da cena dramática, fecha o pano.
Lágrimas debulhadas, sem consolo,
Lavam, talvez, as mágoas que ficaram
e, após a descoberta de que houve dolo,
secam as últimas gotas que restaram!

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