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Nosso mundo poeta.
Maurélio Machado


Percebi no choro de tristeza,
a candura, a pureza,
orvalhar, 
olhos de crianças,
múltiplas e sadias esperanças.
Anúncio de melodiosa aurora,
brilho, 
trinar de pássaros,
surgem agora,
homenagem aos florais,
cintilantes e multicores vitrais.
Cantar,
estribilhos sensíveis,
plangentes versos incríveis,
sonatas de harmoniosas canções,
tanger de sinos, 
palpitar de corações.
Percebi nos sonhos, a singeleza,
na amizade
unissonante nobreza,
e, no poetar solitário e galante,
deste único mundo fascinante,
belezas 
Em versos e prosas,
maravilhas, 
ternuras harmoniosas,
livres e sós
lamentos do sofrer,
no cântico
de amar e viver !
No alvorecer, 
este alegre mundo de poesia,
enaltecedor de sensíveis alegrias,
à nossa terra, os versos,
essência do esteta,
ao nosso mundo,
o MUNDO POETA !



ANJO


Assim tão cedo partistes,
deixando-nos tão tristes,
privados de tua presença
do olhar, de te amar.
Inocente criança,
tuas canções matinais,
ainda ressoam pela casa
e teu meigo sorriso
não nos sai mais da retina
Olhos esgotados de chorar,
flor-de-lis, menina, menina...
Porque te levaram tão cedo?
Tinhas só três anos de vida,
porque partistes filha querida?




Sou assim...

Misto de flores e folhas 
Alegrias e amargores
Sou assim...

Mistura de doce e sal
Não espero nada, afinal
Sou assim...

Uma lágrima e um sorriso
A espera do paraíso
Sou assim...

A labuta e o dissabor
Cansaço indolor
Sou assim...

A alegria no cantar
O prazer de encantar
Sou assim...

A solidão do meu ser
Lutar e sobreviver
Sou assim...

Nas sombras do amanhã
Doces cantos do Jaçanã
Sou assim...

Nos versos de esperança
A candura de uma criança
Sou assim...

Aprendiz da vida
Por você querida
Sou assim...



CAMINHANTE



Atirado na fogueira das loucas vaidades
Desalojaram-no do mundo, verdades
Só um pássaro delirante nas asas do trovão
Perdeu prá sempre o sonho, o ego, o chão...

Pobre maltrapilho, esfomeado caminhante
Nas ruas imundas, imundo mundo errante
Frenético a perseguir a felicidade, visionário
Crença das pregações ilusionistas, quê otário

Ouve ainda o canto enganador da sereia
E vê locupletando-se com o sol na areia
Brancas carícias vindas das ondas do mar
Gaivotas voejando sobre a praia, a voar...

O trovão ribombando bem longe, ao norte
As ondas batendo na rocha, rude e forte
À tarde adormecendo sob o sol amarelado
Algo neste cenário encantador está errado...

Um louco grito de agonia jamais ouvido
Grandioso gemido de dor nunca sentido
O despencar do corpo de um ser humano
A queda de algo grandioso, desengano???

Não, apenas o grande ego que desabou
do escarpado penhasco no mar se estatelou
Mas as vaidades e verdades adormecidas
despertaram, ressuscitaram coisas perdidas...

Carinho retornado na forma de compassos
Amizade imprescindível, almas em abraços
A eternidade, grandioso e inesquecível amor
Enlevo do ardoroso beijo de muito sabor!!! 



Vem, vamos embora...


Recordo-me da revolução
Brasil de sessenta e quatro
Exército de armas na mão
O povo?... triste retrato.


Os militares não queriam
Na presidência o Goulart
E num golpe anunciam
Castelo Branco no lugar.


O pessoal estava acuado
Terror de uma guerra civíl
Mas a sensatez por um lado
deixou em paz o Brasil.


"Vem, vamos embora
que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
não espera acontecer."


O sábio Geraldo Vandré
Uniu o povo na canção
Esteja onde estiver,
Foi o herói desta nação.


Vem, vamos embora...

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  31.01.2012