DORME MEU AMIGO
Marisa Cajado
Dorme, dorme meu amigo
Que as ondas embalem seus sonhos
As derradeiras horas passadas comigo
Preparavam sua passagem pra outros planos.
Breves momentos de emoção intensa
A espiritualidade agindo definida
Sem saber de nada a alma segue e pensa
Na pequenez e no esplendor da vida
Fui levada até você por certo
Como instrumento nesta despedida
E assim pude estar bem perto
De seu ser, na hora da partida
Ignorávamos o desfecho que chegava
Mas a conversação contava da vida espiritual
E aquele colóquio entre nós planejava
O seu desligamento da vida atual
Despedimo-nos, tomou o bote rumo ao veleiro
E o mal súbito o abraçou e caiu no mar
Era aqui o seu momento derradeiro
Uma prece subiu por entre lágrimas no ar.
Nosso encontro ficou inacabado
Como inacabada é a sinfonia do ser
A sonata ao luar marcou o instante inesperado
E sob a lua cheia seguiu pra outro viver.
Marisa cajado Ilha Grande , 30 – 01-2010
Em homenagem a um amigo que conheci
e com ele passei os últimos momentos de sua vida.
Morreu vitima de um enfarto fulminante.

A VELHA ÁRVORE
Marisa Cajado
Da rede através da janela
Olhei a árvore que se erguia
Alta soberana, esguia
Meu olhar fixou-se nela.
Quantos ninhos haveria abrigado
Em sua copa outrora verdejante
Mirando o mar, a praia, o monte
Testemunha de histórias tantas no passado?
Agora ali, semi morta, embranquecida
Ameaçando cair sobre o telhado
Da casa que havia sombreado
Durante quase toda sua vida.
Chegaram os homens armados com a moto-serra
Cinco, amarram-na sem dó.
E com as cordas enlaçadas dando nó
Puxaram-na, caiu inerte sobre a terra
Ela, uma só e eram cinco a tombá-la
Pensei no nosso amor que também antigo
Se erguia forte, alegre amigo
Quantos em nossa ligação a separá-la.
Eu sei minha alma sente
O passado desse amor expresso em nosso olhar
Quando parado sobre seu cismar.
Não sabe, mas seu ser pressente
Nada quero em minha vida que não seja
Mas se ele for que floresça novamente
Que a sua força volte a ser freqüente
Como a força divina que nos beija.
Ilha Grande, 03/03/2010

DEDUÇÃO
Marisa Cajado
Se com consciência
Prestarmos atenção
Em nossa deficiência
Chegaremos à conclusão
Que o difícil é vencer
A grande diferença
Entre o parecer e o ser.
20/01/95
14:12h

SOU A MESMA MENINA
Marisa Cajado
Que olha para o céu cada manhã
E brinda o sol agradecida.
À noite espreita a lua embevecida
E das estrelas continua fã.
As rugas levemente esculpidas
Não tiraram a vontade de sonhar
Embora de ilusões despida
Abraça a vida a compor e a cantar.
Envolve os seus nas lutas que empreendem
Pedindo aos céus que saiam vencedores
E os lábios murmuram preces pelos amores
Que sabe, a respeitam e compreendem.
Vai pela estrada afastando cada espinho
Tentando construir pela jornada
Com a fé em Deus repleta de carinho
Que ama e sabe que é amada.
09/11/2009 14:35h
Ilha Grande

POETA E POESIA
Marisa Cajado
O poeta é como a fonte
Sua poesia brota e segue
Como a água a deslizar
Quando atinge outro horizonte
Ele perde seu alcance
Não sabe onde vai parar
Ele fica com saudade da poesia
Que dele nasceu um dia
Mas conserva a ligação
Este fio que á liga a nascente
É luz formando corrente
Pra aquecer seu coração
21/07/2009 – 12:00h

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