bom tempo do dadaismo
Marco Bastos
se eu escrever bim bem bom
tu escreverás bem bem bem
quando eu disser tom tom tom
dirás também tem tem tem
quando eu quebrar quá quá quá
tu quebrarás plim plem plom
se eu avistar jaraguá
verás também teu leblom
quiçás farás glu glu glu
eu te direi vem vem vem
e tu dirás cururu
eu te darei um vintém
tu me darás caruru
e eu te direi tudo bem.

Esparta e Atenas
Marco Bastos
E mesmo assim, sabendo e consciente
repete a humanidade os mesmos erros.
lobos vivem no homem prepotente
sem que o mundo se dobre aos seus berros.
passada a letargia, não doente
renasce a liberdade nos desterros
altiva e forte cala o insolente
e lhe ata os punhos entre os ferros.
De Esparta só restou triste lembrança
a poesia luz de Atenas sobrevive
- as trevas nunca cegam a esperança.
Se viveres com a sorte que não tive
em um mundo de paz deixa uma herança
- toda montanha tem cume e declive.

BRISAS E VENTOS
Marco Bastos
a brisa que empina a pipa
a brisa que inflama a brasa
tem flores que a brisa ripa
tem ripas que cobrem casa.
tem dias de brisa e ventos
que mornos aquecem a pele
moínhos moem lamentos
nos sonhos que o vento impele.

O BULE E O TÁ_BULE
Marco Bastos
Uma alfafa das arábias
aqui brigo in_trigo
- a salada é desabafo.

OMNÍVORO
Marco Bastos
kibe, tabule e pavê
angus de rapadura e cuscuz,
- adoro é café com dendê!...
Singrando o ano
o porto, a port_a_perto
à frente novo arrebol
e o mesmo sol.

LUA VELEJA
Marco Bastos
leste - não luziu
(precipí_cio parece não alvoreja)
- sol fugidio da tua tulipa - a_qui flameja
Ai qui sodade docê
com o minuano na proa
hehehe, já vi que ocê,
boa de piano e de trova,
chega na hora da prova
quadria é sem balancê.
veja que coisa mais boba
ficá a la droá e a la gôche
procê é meió o crochê
- vou procurá otra loba.
ai que saudades, chinoca
(chinoca qui siscondeu)
vê se ocê tira da toca
prenda qui dance mais eu.
na viração desse vento
óia se a popa é boa
me tira do sofrimento
de um minuano na proa.

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