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 CONTRASTE
Malú Mourão


No mundo do sentimento,
O homem faz sua história.
Se um, conta o seu lamento,
Outro já canta a sua glória.

O que entrelaça momentos,
Calejado de sua inglória,
Se entrega aos lamentos
E esquece que existe vitória.

Mas o que busca a bonança,
Tende sempre a se realizar.
Sem temer a desesperança,
Segue a magia do sonhar.

E na incontida esperança,
Sabe o que vai encontrar.
É uma suprema aliança,
Para o seu ideal concretizar.

Resta criar-se uma lógica
Entre o lutar e conseguir.
Pois o sonhar significa,
De sua vitória não desistir.




Sou Essência, Poeta e Vida.
Malu Mourão


Sou o poeta, sou a rima,
Que a vida adoça e anima.

Sou do cacto a flor,
Que o espinho guardou.
Sou o pássaro a cantar, 
Que vai a natureza encantar.
Sou do rio o leito,
Que no estio é desfeito.
Sou o chão molhado,
Que faz brotar o grão semeado.
Sou um elo da corrente,
Que prende a vertente.
Sou o verde da flora,
Que o homem deflora,
Sou o resto do lixo,
Que sobrou do desleixo.
Sou luz, sou a quimera,
Que forma a aquarela.
Sou do medo a verdade,
Que você chama de covarde.
Sou a mentira da coragem,
Que você chama de vantagem.

Sou a essência da vida,
Que você sempre olvida
Sou alegria, sou lundum.
Ah! Sou apenas Malu!



Suprema Entrega.
Malu Mourão

Na sutileza mágica de nosso amor,
Rejubilo-me ora de contigo estar!
Canto da suprema entrega o louvor,
Quando no teu corpo posso esposar.

No meu olhar revérbero de paixão,
Ofusco os sentidos dos anseios.
E embalada ao som de meu coração,
Pulso a minha vida em devaneios.

Em ti eu busco a minha metade,
Sublimando este amor em fantasia,
Entrego – me assim com lealdade,

A este soberbo amar que contagia.
Em teus lábios, bebo a tua vontade,
O teu supremo néctar que extasia.




Sublime Colheita.
Malu Mourão


Procuro nos caminhos a trilhar,
Plantar sempre muita harmonia,
Para que outros possam encontrar
Desta vida a sublime alegria.

E nesta busca eu procuro a paz.
Que ela reine assim por inteira,
Ungindo de amor nossos iguais,
Numa festa de fé verdadeira.

Que os homens, neste caminhar,
Aprendam a controlar suas emoções.
E da vida, eles saibam comungar
Da concórdia em seus corações.

E para que minha semente germine,
Vou cantando a canção do amor,
Desejando que a luta termine,
Em colheita de sublime louvor.




Meu Olhar Andarilho.
Malu Mourão.

Corro ao longe o meu olhar.
Que percorre ruas, vielas e prados...
Andarilho e admirado,
O meu olhar busca ver uma razão,
Para tamanha indiferença 
Existente entre os irmãos.
Detenho-me na violência e choro.
Penso na fome e me apavoro.
Um medo toma conta do meu ser,
Pois o sentido da vida está a perecer
Entre a corrupção e o descaso,
Vestido de prostituição
E vendido por um tostão.
Pergunto-me então pelo amor.
O amor que Cristo nos ensinou, 
Por onde andará?
E meu olhar cansado, chora.
Eu viro as costas e vou embora.
Faço a volta no caminho
E vou soltando a semente do amor 
Que em mim mora.
Da tristeza faço um ninho
Para guardar a esperança,
Que num dia qualquer, 
Meu andarilho olhar volte a percorrer
E veja em sua andança,
A semente do amor que soltei,
Viçosa a florescer.

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  30.01.2012